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Raymundo de Souza Moura
Eduardo Dias
organizou esta biografia
Nasceu em Óbidos em 11 de abril de 1912, filho do Sr. Alfredo Nunes
de Moura e D. Bertha de Souza Moura. Fez o curso de humanidades no Ginásio
Paes de Carvalho, e o bacharelado na Faculdade de Direito do Pará, onde
presidia o Diretório Acadêmico. Foi Promotor Público de Cametá, 1º
Promotor Público da Capital e Delegado do Pará na I Conferência
Penitenciária Brasileira (Rio, 1940). Promovido ao Tribunal Regional do
Trabalho (1946), ali desempenhou as funções de Vice-presidente e de
Presidente, este último mandato, por dez anos. Em 12 de outubro de 1966, foi
nomeado Ministro do Tribunal Superior do Trabalho,
onde exerceu os cargos de Corregedor Geral da Justiça do Trabalho,
Vice-presidente e
em 1980 assumiu a Presidência da Corte do TST.
Aposentou-se em abril de 1982 tendo falecido em agosto do mesmo ano.
Exerceu o jornalismo profissional em O
Estado do Pará, durante sua vida universitária. Em 1947 integrou a
comissão designada pelo Governo do Estado para elaborar o anteprojeto da
Constituição Política do Pará. Foi professor de Direito Marítimo na Escola
de Marinha Mercante do Pará. Colaborou nos suplementos literários dos
jornais Folha do Norte e A Província do Pará, na Revista Novidade, em
Belém; no semanário de crítica Dom Casmurro e Jornal do Comércio, do Rio
de Janeiro.
A sua atividade intelectual, através de discursos, artigos e
conferências, orienta-se principalmente para o gênero do ensaio. Outro
aspecto marcante é a participação nas idéias da atualidade brasileira e
universal, utilizando a tribuna ou a coluna de jornal para sua expressão.
No pensamento católico, destacam-se três dos seus trabalhos:
A Propriedade Privada no Conceito
Capitalista, no Conceito Marxista e na Doutrina Social da Igreja; a Igreja
e a Questão Social e Concílio e João.
A propósito do 65º aniversário do Instituto Histórico e
Geográfico do Pará, do qual era sócio, e como orador oficial na sessão
comemorativa, fez uma síntese com interpretação de acontecimentos e
correntes de idéias do século XX, editado sob o título – A História e o
Século.
Raymundo Moura foi condecorado como Grande
Oficial da Ordem do Mérito do Trabalho, Grã Cruz da Ordem da Ordem do
Mérito Judiciário do Trabalho, Grande Oficial da Ordem do Mérito do
Grão-Pará, Medalha José Veríssimo, da Academia Paraense de Letras,
entre outros.
Faleceu em Brasília, em 27 de agosto de 1982, e enterrado com honras
fúnebres em Belém, quando o juiz Orlando Teixeira da costa disse:
parafraseando o poeta do Recife, eu também te imagino chegando ao céu.
Licença, dirás. E São Pedro bonachão: Entra, Raymundo, tu não precisas
pedir licença. Que assim seja, meu colega, meu irmão, meu amigo Raymundo
de Souza Moura.
O saudoso jornalista Cléo Bernardo em sua crônica de O Liberal em
29.08.86, intitulada Elegia Além de Agosto, escreveu o seguinte: “De
hoje em diante, Óbidos será proclamada como a terra de José Veríssimo, de
Inglês de Souza e também de Raymundo Moura. Que pena os paraenses,
sobretudo as gerações universitárias, não terem recolhido as flores e os
frutos da tua consciência ecumênica, cujo sentido de grandeza e de
atualidade residia na simplicidade com que ensinavas, como se palestrando
cercado de irmãos ou de filhos. O juiz em ti era o professor como o
professor era juiz, no entanto, tinhas aversão aos julgamentos sem raiz,
isto é, que não passassem pelo caminho justo das entranhas, humanamente
entranhas.
De todas as tuas lembranças: uma permanecerá, envelhecendo e morrendo
comigo. Julho de 1964. Achava-me preso em Val-de-Cães. Resolveste me
visitar. O oficial do dia, encarregado da fiscalização do perigoso
prisioneiro, solicitou que te identificasses. E no papel que apresentou,
sim, escreveste: Raymundo de Souza Moura, Juiz Presidente do Tribunal
Regional do Trabalho, o que causou admiração ao jovem tenente, que logo
enveredou pelo tratamento de Doutor e de Excelência.
Jamais olvidei a verdade do singular gesto. Os olhos se umedecendo
daquele orvalho que bem guardado possuímos. Parece que estou no teu
Óbidos, olhando o Amazonas correr, lá no lugar mais estreito e mais
profundo do rio, seguindo o seu destino para o Mar. Assim contigo, já no
Paraíso da Esperança, e tua fé militante. A estrela da manhã desaparece.
Amanhece. Adeus, companheiro, adeus”.
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