|
|
Médico, cientista e intelectual, Manuel Ayres, nasceu na cidade de Óbidos-PA a 9 de janeiro de 1925, filho do farmacêutico português, José Cardoso Ayres e da amazonense, de Maués, Ana Michiles Ayres. Iniciou os estudos em 1931, no Colégio São Francisco de Assis, sob a orientação dos frades franciscanos, tendo concluído o curso primário em 1935, ano que também teve aulas particulares com o conhecido professor José Barroso Tostes . A partir de 1936, após passar no exame de admissão, fez o curso ginasial no Colégio Estadual do Amazonas, na cidade de Manaus e em 1941 continuou os estudos em Belém, inscrevendo-se no curso pré-médico do tradicional Colégio Estadual Paes de Carvalho. Em 1943 inscreveu-se e foi aprovado no concurso de habilitação da então Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará, tendo recebido o grau de médico em 8 de dezembro de 1948, “sempre se distinguindo em todas as cadeiras do curso médico, tendo sido considerado um dos melhores alunos desta faculdade”, segundo atestado passado pelo então Diretor da Faculdade, Prof. Doutor Lauro Magalhães. Entre suas atividades acadêmicas, exerceu o cargo de auxiliar de laboratório no Departamento Estadual de Saúde Pública, foi interno no Laboratório de Biologia do Hospital da Santa Casa de Misericórdia sob a orientação do Prof. Dr. Jayme Aben-Athar, estagiário no Pronto Socorro Municipal e residente no Hospital dos Marítimos de Belém. Após a formatura, o jovem médico foi iniciar a carreira em Óbidos, montando consultório clínico nos autos da farmácia do pai, a conhecida Farmácia Esculápio, sendo também nomeado adjunto clínico do Hospital da Santa Casa de Misericórdia de Óbidos, onde era tratado carinhosamente pela sua numerosa clientela como “Dr. Manelito”. Em Setembro de 1949, seguiu para São Paulo para fazer especialização médica, em pediatria, no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, tendo também estagiado no Serviço de Berçário da Maternidade da Casa Maternal e da Infância “Leonor Mendes de Barros” e no Serviço Hospitalar da 4ª Zona Aérea. Ao retornar de São Paulo, ainda passou seis meses clinicando na cidade de Óbidos, quando decidiu tentar a carreira em Belém, onde havia um leque maior de opções para suas ambições de conhecimento. Logo o Dr. Manelito ganhou fama na capital do estado, sendo em 1951 nomeado médico da Secretaria Estadual de Saúde do Estado do Pará, no Serviço de Higiene Infantil do Centro de Saúde Nº 2, servindo também como adjunto da Clínica da 1ª Infância do Instituto Ofir Loiola, como adjunto da Clínica Infantil do Hospital da Santa Casa de Misericórdia do Pará, como médico puericultor do Serviço Social do Comércio e do Serviço de Hidratação da Legião Brasileira de Assistência. Montou consultório particular e logo angariou uma vasta clientela em Belém, o que lhe permitiu acesso à realização de um outro sonho de juventude: ser professor. Em 1952 foi aceito como docente voluntário da disciplina Pediatria e Puericultura na Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará, tendo sido posteriormente nomeado Assistente de Ensino dessa matéria. Em 1953, por concurso público, entrou como médico pediatra no então Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários, tendo obtido o 1º lugar, e no ano seguinte foi aprovado em concurso para Instrutor de Ensino na Faculdade de Medicina e Cirurgia do Pará. Em 1956, defendeu tese de Doutor em Medicina e em 1961 obteve por concurso, o título de Docente Livre da disciplina Pediatria e Puericultura da Universidade Federal do Pará. De março de 1965 a fevereiro de 1966, fez estágio de pós-graduação na Secção de Genética do Instituto de Ciências Naturais da Universidade do Rio Grande do Sul, sendo, no regresso, designado professor da cadeira de Biologia da Educação, da ex- Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade Federal do Pará. Nessa nova atividade, em 1966, fundou o Laboratório de Genética da UFPA, destinado a desenvolver pesquisas e ensino nessa área do conhecimento. De 1969 a 1970, através de bolsa de estudos concedida pelo Conselho Nacional de Pesquisas, estagiou no Departamento de Genética da Escola de Medicina da Universidade de Michigan, Ann Arbor, USA, tendo depois sido nomeado pelo Exmo. Senhor Presidente de República, Diretor do Centro de Ciências Biológicas da UFPA, no período de 1971 a 1975. Em 15 de Março de 1975, aceitando convite do Exmo. Senhor Governador do Estado do Pará, Dr. Aloysio da Costa Chaves, passou a exrecer a função de Secretário de Estado de Saúde Pública do Estado do Pará. Deve-se a Manuel Ayres à frente da Secretaria de Saúde do Estado, a criação da Fundação Centro Regional de Hemoterapia do Pará, em 1978, que hoje se denomina Hemopa, do qual, como Secretário de Saúde foi seu primeiro presidente, com relevantes serviços prestados à comunidade paraense. Nesse período foi também Presidente do Conselho Estadual de Saúde, Membro do Conselho Superior de Desenvolvimento do Estado do Pará, Presidente da Comissão Estadual do Controle da Cólera, Presidente da Comissão Estadual de Controle de Entorpecentes e Representante do Governo do Pará na qualidade de Conselheiro na Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa, orgão vinculado à Universidade Federal do Pará. Cumprida a vitoriosa missão como Secretário de Estado, em 1979 foi nomeado Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Pará, tendo também exercido o cargo de Presidente do mesmo Tribunal de Contas no período de janeiro de 1989 a janeiro de 1990. Aposentado como médico, mas sempre em busca de conhecimento, Manuel Ayres resolveu dedicar-se ao estudo da Estatística, enveredando pela Bioestatística e sendo hoje uma das maiores sumidades nessa área. Foi professor de Estatística Básica no Centro de Ciências Exatas e Naturais e de Bioestatística no Curso de Mestrado em Doenças Tropicais, ambos na UFPA. Tem sido orientador de várias dissertações de mestrado, além de membro e presidente de diversas bancas examinadoras de mestrado. Manuel Ayres também produziu inúmeros trabalhos científicos, grande parte deles com publicação no exterior. Em paralelo à nova paixão pela Estatística, há muitos anos já vinha se dedicando a estudar informática, tendo sido responsável pela implantação da Unidade de Informática da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará, em 1977, e pela informatização de todas as atividades do Tribunal de Contas do Estado do Pará a partir de 1989. Casando a informática com a BioEstatística ele é autor dos seguintes livros nessa área: Aplicações Estatísticas em Basic(1987), tendo este como colaborador, o filho Manuel Ayres Jr., BioEstat 1.0, BioEstat 2.0 e BioEstat 3.0, todos destinados a estudantes de graduação e pós-graduação, merecendo este último trabalho uma edição para países de língua espanhola. Em 1988 publicou o soft Tabuada, em Basic, sobre 4 operações aritméticas, com 3 níveis de dificuldade, destinado a alunos das primeiras séries do primeiro grau. Por relevantes serviços prestados nesse segmento, em 1992, foi considerado Personalidade de Informática do ano pela SUCESU/Pará. Manuel Ayres é membro de diversas Sociedades Médicas, inclusive da American Academy of Pediatries desde 1955 e foi fundador da Sociedade Paraense de Pediatria. Entre as inúmeras honrarias recebidas por Manuel Ayres, vale destacar as seguintes : Medalha do Conselho Estadual de Cultura pelo I Centenário do nascimento de Oswaldo Cruz, Palma Universitária Ouro pela Universidade Federal do Pará, Medalha Comemorativa ao Jubileu de Prata da Secretaria de Estado de Saúde Pública, Medalha Evandro Chagas comemorativa do XII Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, Medalha Cultura Dr. Camilo Salgado, Título de Cidadão de Tomé-Açu, Medalha Cultural Augusto Meira, Comenda da Câmara Municipal de Óbidos por relevantes serviços prestados ao município, Medalha Comemorativa da Prefeitura de Belém – Brasão D’Armas da Cidade de Belém-Pará-Bi-Centenário da Igreja de São João Batista 1777-1977, Diploma do Rotary Club -Reconhecimento ao Mérito Profissional, Plaqueta recebida do Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará por relevantes serviços prestados e Professor emérito da Universidade Federal do Pará. A produção de Manuel Ayres em diferentes áreas do conhecimento humano, tem sido tão diversificada e rica quanto as quase infinitas figuras euclidianas de um caleidoscópio. Por isso ele não surpreendeu ninguém quando, recentemente, começou a alinhavar algumas crônicas literárias nas horas vagas. Essa nova atividade, que ele considera pura distração, já teve trabalhos publicados no jornal “O Liberal”, abordando temas do cotidiano, como na excelente crônica, “O Primeiro Bisneto”, ou, como memorialista, registrando passagens de sua não menos rica atividade como médico na região. Mesmo mantendo a maioria dessas crônicas ainda timidamente guardadas na gaveta, uma delas também apareceu numa recente publicação da revista dos médicos escritores. Com o talento transbordante que tem, nada a estranhar se, em breve, aparecer no pedaço um livro de mais um grande escritor obidense, como manda a tradição e o figurino da terra de Inglês de Souza. Sempre que possível, Manuel Ayres visita Óbidos, a terra natal, de onde guarda imorredouras lembranças dos pais, dos irmãos, dos amigos e da infância vivida pelas ladeiras da cidade presépio. Lá, há 54 anos, pediu em casamento Iza do Amaral Corrêa, moça de tradicional família do Baixo-Amazonas, com quem já festejou bodas de ouro. Dessa união feliz nasceram 3 filhos : Helena Corrêa Ayres, José Marcio Corrêa Ayres e Manuel Ayres Jr. O segundo filho do casal, o brilhante biólogo, José Márcio Corrêa Ayres, conhecido no mundo da ciência como Márcio Ayres e que faleceu prematuramente em 2003, foi cientista e preservacionista de renome internacional, tendo deixado para a Amazônia uma obra exuberante: a criação da Reserva Biológica de Mamirauá. |