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Benjamim Franklin de Araújo Lima
Informações extraídas do site
Série Memória-SEC do Amazonas
escrito por
Ulysses Uchôa Bittencourt
Foi figura importante da intelectualidade do Amazonas, onde exerceu cargos
públicos de relevância. Escritor de estilo primoroso e vasta cultura, impõe-se-nos registrar, de início, o papel preponderante que teve,
juntamente com Péricles Moraes e José Chevalier na fundação da Academia
Amazonense de Letras, nascida com o nome de “Sociedade Amazonense de
Homens de Letras”, cuja primeira reunião preparatória para instalação se
realizou no dia 1° de janeiro de 1918 em sua própria residência à rua
Monsenhor Coutinho, atual n° 402, onde existe placa registrando o evento.
Benjamin Franklin de Araújo Lima nasceu em Óbidos (Pará), a 27 de
novembro de 1885, filho do Dr. José Francisco de Araújo Lima (que foi Juiz
de Direito em Manaus logo após a Proclamação da República) e da Professora
Maria Amélia Mendonça de Araújo Lima. Educou-se em Manaus e iniciou o
Curso de Direito em Salvador, o qual veio a concluir na Faculdade de
Direito do Rio de Janeiro. Ainda estudante, foi secretário da revista Ad
Lucem, de Salvador, e colaborou no Diário da Bahia, então sob a direção
literária de Almachio Diniz. Formado, fixou-se a princípio em Manaus, onde
secretariou o Diário do Amazonas e dirigiu A Imprensa, além de colaborar
assiduamente em outros órgãos e várias revistas. Casou-se em 1910 com
Cacilda Robert de Mello, com quem teve cinco filhos, dentre os quais o
criminalista Carlos de Araújo Lima, da Academia Amazonense Letras.
Transferindo-se para o Rio de Janeiro em 1919, incorporou-se
definitivamente à imprensa carioca, tendo sido redator de O Paiz e,
sucessivamente, do Diário Carioca, Diário de Notícias, Diário da Noite e
Jornal do Brasil, onde trabalhou até falecer. Colaborou, ainda, entre
outros, nos seguintes diários: Jornal do Comércio, A Rua, O Dia, Gazeta de
Notícias, Jornal do Povo, do Rio de Janeiro; Correio Paulistano e A
Gazeta, de São Paulo; O Diário, de Santos, e Folha do Norte e Imparcial,
de Belém do Pará.
O Dr. Benjamin Lima foi grande propagandista e advogado do
Amazonas, através da pena. Haja vista, inclusive, ter sido processado
criminalmente por calúnia quando, em defesa do Estado, insurgiu-se contra
a volta de um ex-Diretor do Tesouro Público do Amazonas, que havia sido
afastado pela Revolução Ribeiro Júnior. Surge, então, a sua notável defesa
intitulada “Para melhor Fama da Lei de Imprensa”, com a qual obteve
esmagadora vitória na Justiça.
Exerceu as seguintes funções públicas: Professor de História
Universal do Ginásio Amazonense, Promotor de Justiça, Juiz Municipal e de
Direito na Comarca de Manaus, oficial de Gabinete do Governador Antonio
Bittencourt, Diretor da Biblioteca Pública, Procurador Fiscal do Amazonas,
Diretor da Penitenciária, Secretário da Prefeitura de Manaus, Escrivão
Federal do Amazonas, Professor de História e Economia Política da Escola
de Comércio “Solon de Lucena”, Delegado Geral do Recenseamento de 1920. Já
no Rio de Janeiro foi Oficial da Diretoria Geral de Estatística, servindo
no Gabinete do Dr. Bulhões de Carvalho. Membro da Comissão de Teatro
Nacional organizada em 1937 pelo Ministério da Educação, e Diretor do
Curso de Teatro mantido pelo Serviço Nacional de Teatro do mencionado
Ministério.
Jornalista, pensador, emérito conferencista, crítico de
cinema, foi também teatrólogo. Sua peça “O Homem que Marcha”, que
concorreu ao prêmio instituido pela Academia Brasileira de Letras em 1925,
foi a vencedora. Essa escolha suscitou polêmica entre os Srs. Acadêmicos,
de vez que Carlos de Laet e Osório Duque Estrada impugnaram o Parecer, por
considerarem a peça “imoral”. Humberto de Campos e Rodrigo Otávio
sugeriram que o trabalho voltasse à comissão para contestar o alegado,
tendo esta concluído, entre outras considerações: “Não se passa a lima nem
o esmeril no que de si é puro, é plano, é liso, é regular, porque se iria
riscar a perfeição e destruir, em vez de construir”.
Dentre as peças que escreveu foram representadas as
seguintes: O Carrasco (1922), O Homem que Marcha (1925), Boa Noite (1931),
O Homem que Ri (1931), Babilônia (1933), O Amor e a Morte (1933) e Venenos
(1938). Dessas, foi lida pelo Autor, em 1928, O Homem que Marcha, em
memorável récita no Teatro Amazonas.
Teve publicados os livros: A Revolta do Ídolo, episódio
dramático (1919), Esse Jorge de Lima!..., ensaio de crítica (1932) e
Teatro de Benjamin Lima, publicação póstuma, contendo as peças O Homem que
Marcha, O Homem que Ri e O Martírio de Don Juan.
Em sua intensa produção jornalística, deu notável
contribuição à crítica literária e teatral. Noutro ângulo, focalizando o
amor que Benjamin Lima sempre devotou à Amazônia, comenta, no Dicionário
Amazonense de Biografia, Agnello Bittencourt:
“Na sua coluna no Jornal do Brasil defendia com generosidade
as boas causas — muito especialmente os interesses da Amazônia — bem como
na colaboração assídua em jornais de São Paulo.” (...) “Até a sua morte a
casa de Benjamin Lima foi um foco de cultura, a que acorriam expoentes do
jornalismo, do teatro, da critica e da literatura em geral, tanto como
jovens, alguns vindos da Província e aos quais nunca faltou o calor de seu
apoio.”
Após o seu falecimento, a Câmara Federal, em voto de pesar
prestou homenagem a Benjamin Lima (sessão de 12.01.48), através da palavra
de Leopoldo Péres. Na homenagem que lhe foi feita pela Academia Brasileira
de Letras (15.01.48), o acadêmico Peregrino Júnior se refere ao mal físico
de que o intelectual sofria (“tabis dorsalis”) e lhe traça o perfil em
oração que transcrevemos:
“Esse Benjamin Lima, que acaba de morrer, foi um puro, um legítimo
escritor. Viveu toda a sua vida—vida de sofrimento físico sem pausa—para
uma única alegria: a alegria de ler e de escrever. Dramaturgo, critico,
ensaísta, a sua obra é numerosa e variada. Teve grande paixão pelo Teatro
e deixou-nos algumas peças admiráveis. Teve uma paixão inconversível pela
literatura e deu-nos alguns ensaios penetrantes e nítidos. Teve uma
permanente paixão pela sua terra e pela sua gente—e até os últimos dias do
seu leito de enfermo mandou pontualmente para o Jornal do Brasil, onde
trabalhou tantos anos os tópicos e comentários em que fixava tantos
assuntos de interesse de sua gente e da sua terra. Conheci-o no Pará, em
1929. E desde então fui seu amigo, admirando-lhe o claro espírito e o
generoso coração.
Vizinhos de sítio em Vera-Cruz, nos nossos “weekends” e
nas nossas férias era-me uma grata alegria visitá-lo e ouvi-lo, que
Benjamin Lima, “causeur” admirável, conhecia como ninguém a arte difícil
de conversar. Esse belo escritor e esse bom Amigo levei-o há dias ao
Cemitério de São João Batista — mas ele permanece vivo na minha recordação
e saudade, pelo seu generoso coração, pela sua admirável inteligência.
Viveu toda a sua vida para as letras—e exclusivamente para elas—para o
ofício árduo e ingrato de amá-las e servi-las”.
Benjamin Lima hoje tem seu nome
gravado em uma rua de Manaus.
FONTES
BIBLIOGRÁFICAS
- ANTOLOGIA DO JORNALISMO BRASILEIRO — Seleção e Biografias por Pedro
Timotheo - Rio de Janeiro, Llvr. Editora Zello Valverde 1944.
- BITTENCOURT, Agnello - Dicionário Amazonense de
Biografias, Rio de Janeiro, Editora Conquista, 1973.
- ROQUE, Carlos - Grande Enciclopédia da Amazônia, Belém, Amazônia Editora
Ltda, 1968.
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