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Dom Floriano
Dom Floriano foi Bispo de Óbidos e era uma pessoa
muito estimada pelos obidenses, hoje ele é nome de uma rua da
cidade e seus restos mortais foram transladados da Alemanha, e
se encontra sepultado na Catedral de Óbidos.
O poeta Saladino de Brito escreveu em 1967 uma crônica sobre
D. Floriano no jornal "Nosso Jornal"- Órgão mensal da prelazia
de Óbidos. Conseguimos essa preciosidade nos acervos de
Eduardo Dias, e publicamos aqui a palavra do poeta falando de
seu amigo D. Floriano. |
Óbidos, Maio de 1967
As vezes falar ou escrever acerca de certos homens torna- se empreitada assas, difícil.
Falta - nos o principal que é o sentir livre e desinteressado. Nosso coração absolutamente não
comunga conosco e nessa alma não vibra ajudando-nos a externa r o que queremos, e daí, sairmo-nos mal, produzirmos algo insulso, desenxabido
porque não é a expressão da verdade o que dizemos.
Tal porém, não acontece no caso presente. Estamos à vontade, sentido-
nos como se estivéssemos em nossa própria casa e tudo em torno de nós ajuda-nos porque vibra
conosco uníssono e lealmente.
O personagem de quem falamos aqui, é uma dessas figuras de escol,
desses homens que já trouxeram ao
nascer, o cunho de uma predestinação.
Nascido alemão, aos 24. de Maio de 1912, com apenas 19 anos de idade,
recebia o hábito marrom dos franciscanos, sendo ordenado sacerdote a 22 de Maio de 1937. Não
parou aí a sua carreira. Isso era apenas o princípio. Sua dedicação, competência e disciplina levaram-no
a um ponto mais alto na hierarquia eclesiástica. Foi eleito Bispo Prelado de Santarém, neste Estado, em 8 de Setembro de 1950. Nesta
investidura já de real e significativa importância revelou-se o dinâmico pastor
no trabalho da catequese para conduzir
e reconduzir ao aprisco de
Jesus todas as ovelhas que hoje abençoam o seu nome por sentirem-se absolutamente felizes no seio da grande e carinhosa
mãe- a Santa Igreja Católica e
Apostólica.
Na terra Mocoronga ele deixou indelevelmente gravado em cada pedra do caminho, em cada recanto visitado,
em cada coração auscultado, o estigma da sua bondade e dedicação.
E não somente no trabalho episcopal ou religioso que sua ação benfazeja se fez
sentir. Ele também mui to produziu no terreno material. Suas mãos de artífice da bondade, criaram ambiente. salutares
aos seus prelazianos
de Santarém,
e da sua passagem
par tão grande e trabalhosa Prelazia, resta
ainda uma saudade imorredoura, um agradecimento constante e perene nos corações dos que
deles receberam, ou uma palavra amiga e persuasiva de fé, ou uma ajuda material nas horas difíceis.
Finalmente criada a Prelazia de Óbidos, acertadamente e para a nossa felicidade,
esse soldado de Cristo, foi nomeado Prelado de Óbidos, aos 12 de Setembro de 1957, e do seu alto cargo tomou posse em 2 de Fevereiro
do seguinte ano.
Ante's disso nós já o tínhamos tido aqui como Vigário. Já
tínhamos sentido a sua
ação, verificado o seu devotamento à causa das almas.
Entretanto, foi depois da sua última investidura que sua verdadeira
predestinação se revelou. Hoje todos nós o conhecemos, e negar o seu
trabalho, esconder a sua operosidade, os seus atos de amor e benemerência,
seria o mesmo que tentar empanar a luz do Sol com uma peneira.
Pontilhando aqui e ali, há o sinal da sua passagem, da sua visita. De Alenquer a
Faro, não somente nas cidade mas também dentro
deste rendilhado maravilhoso, verde e agreste, mas soberanamente
altiloqüente, por toda a parte nas barrancas dos rios, nos espraiados dos lagos, no escondido das
cabeceiras na suturnidade dos "centres" ínvios por uma Igreja ou capela; por
uma escola ou hospital, num asilo ou numa assistência dentária; pelos atos ou
belas palavras, as almas reconhecidas atestam a desinteressada ação do seu Pastor.
Ele tem mesmo, vamos dizer ultrapassado
às suas verdadeira. funções;
tem se imiscuído nos interesses particulares de toda a comunidade do
Baixo Amazonas. Com a
sua eficiente
e preponderante ajuda, tivemos o nosso campo de pouso. Tem sido ele que há sustentado como um Atlas potente, a Santa Casa de Misericórdia de Óbidos.
Agora mesmo está ele feliz porque aquele nosocômio instalou-se definitivamente
no novo e magnífico prédio, idéia abençoada de Raimundo da Casta Chave.
Exuberantes são as provas de amor e de fraternidade notadamente cristãs que ele
nos tem dado. Com seu riso afável, seu falar moroso, sua simplicidade
tocante e sua impressionante maneira de agir no resolver dos múltiplos e complexos casos de
sua responsabilidade, e naqueles que somente a sua bondade criou, sentimos que
ele é um Verdadeiro Pastor.
Sua missão é das mais belas, mais altruísticas. Transcende o bem, traduz
amor, manifesta-se plena e insofismável através de todos os seus gestos e
atitudes, que sempre semeiam a concórdia, a harmonia e a paz.
Quereis saber o teu nome? ele já deve estar gravado nos corações de todos vós portanto, nada mais nos
resta fazer do que pedir a Deus que nos conserve por muitos e muitos anos
o nosso amigo, o nosso VERDADEIRO PASTOR
Saladino de Brito

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