|
Roberto Carvalho de Faro 06/06/2007 |
|
A CRIANÇA E A GUERRA Enquanto a guerra em 1940 rebentava fragorosa, enchendo de apreensão e pavor o coração da humanidade, num lugar obscuro de um recanto desconhecido, o choro estridente e entrecortado de um recém-nascido enchia de transbordante felicidade o âmago de um lar. Por um momento os grilhões sufocantes da guerra dissiparam-se dos corações do jovem casal. Em seu lugar rutilou um clarão imenso no meio da negra noite sem amanhã seguro. Não era fogo de artifício para iluminar as noites de ataque. Nem tampouco a explosão de algum avião alvejado. Não. Era um clarão sem sangue, sem sacrifícios. Era a fulgurante aurora de uma nova vida dissipando as trevas de tantas vidas sacrificadas. Duas mães, não suportando o tamanho e o peso de seus fetos, depois de nove meses de gestação, deram-lhe à luz na mesma época. Uma, plácida e serena, acalentava carinhosa o seu delicioso fardo. Era u’a mãe que gerava um filho. A outra — uma fera — ambiciosa e perversa, forjava no seu volumoso ventre um horrendo feto. E todas as perversidades da odiosa mãe nele tomaram aspectos mais escabrosos. Assim foi que a mãe ÓDIO pariu um monstro chamado GUERRA! Juntas nasceram a vida e a morte. A vida trazendo conforto e esperança para dentro de um lar. A morte arrastando o desespero e a apreensão para o recesso dos corações aflitos. Cresceram. Por fim, já não tendo o ódio a quem destruir, exterminou a si próprio. A paz então reinou sobre os escombros do mundo e trabalhou na sua reconstrução. Libertando-se das ruínas a vida expandiu-se mais livre e mais larga, porque essa “vida” era fruto “da Paz”. Dentro dos “Marcos” da tranqüilidade e segurança e sob a bandeira branca “da Paz”, a “criança-vida” cresceu envolta em carinho e afeto. Mas essa criança, nascida num lugar obscuro de um recanto desconhecido, embora paradoxal à sua co-irmã guerra, transporta ainda hoje consigo o estigma e a viva recordação daquela coexistência casual. Durante a Segunda Guerra Mundial, três países reunidos – O EIXO – lutaram contra as Forças Aliadas. O EIXO compreendia: Itália, Alemanha e Japão, tendo por capitais: Roma, Berlim e Tóquio, respectivamente. A primeira sílaba de cada uma dessas capitais formam um curioso nome: RO-BER-TO! Quis o acaso que a criança nascida com a guerra também se chamasse ROBERTO ( filho de Marcos e Maria da Paz). |
|
|