Marinês Santos da Costa                                                                                             27/03/2008

Macacos Intelectuais II

“De onde emergiu a consciência humana”?

A resposta é bem simples: da consciência dos animais. “Não há justificativa para considerá-la propriedade exclusiva da espécie humana, respondeu Ernst Mayr, o biólogo mais influente do século passado.

Este é o trecho extraído do artigo escrito por Drauzio Varella para Folha de São Paulo em 29/03/2008, intitulada “Macacos Intelectuais”. O autor propõe uma reflexão sobre as questões da inteligência e do comportamento humano, comparado aos animais que, segundo os cientistas comprovam, seriam nossos parentes mais próximos: os Chimpanzés.

Percebe-se no texto uma afirmação que o homem se orgulha tanto de sua intelectualidade que esquece de sua origem animal. Antes de ser homo sapiens (pensante), ele é homo bios (animal). O que realmente difere os homens dos animais é mais do que sua “racionalidade”, pois, há momentos em que os homens não conseguem ser racionais e agem como animais mesmo. Segundo filósofos, existe uma constante briga interna entre o homo sapiens (pensador) e o homo bios (animal).

Eu diria que esta briga já não é somente interna, e sim externa, afinal, o que ainda nos salva de uma completa extinção promovida pelos atos irracionais de alguns humanos, é a existência de outros humanos preocupados em manter seu lado sapiens dominante. O autor do texto é até bem generoso com a humanidade quando afirma que, só os humanos possuem esta capacidade de se doar; de compreender o outro sem interesse recíproco e de criar toda esta tecnologia. Porém, a meu ver, os humanos criaram também, a bomba atômica e as guerras sem sentido. Não é uma contradição?

Uma de nossas grandes vantagens sobre os primatas, também, seria a capacidade que temos de transmitir nossas heranças culturais aos descendentes, isso é bom, pois, de alguma forma os que conseguirem transmitir algo de positivo a seus filhos terão neles futuros aliados na luta do homem pensador contra o homem animal.

No final do texto de Drauzio Varella fica a incógnita sobre a possibilidade de os primatas seguirem sua escala de evolução, caso nós os homo sapiens, conseguirmos finalmente a extinção de nossa espécie.

Cabe aos intelectuais da espécie humana promover esta consciência e transmitir sua herança cultural de preservação a seus discípulos, pois, reciprocidade desinteressada, doação e compreensão, são características unicamente encontradas no ser humano, segundo as pesquisas de Varella. Eu só receio que a maioria de nossos macacos intelectuais esteja muito mais preocupada com seu próprio umbigo, do que com a reciprocidade desinteressada.

Grande abraço!

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