Marinês Santos da Costa                                                                                             16/06/2007

Um causo de contraste cultural
Marinês Santos da Costa - santosmarines@hotmail.com

Dia destes estava eu conversando com os amigos de Óbidos sobre a forma de falar de nossos pais, caboclos da terra Pauxis.
               Aquele sotaque arrastado que só o caboclo tem e a mania arraigada de sempre ao encontrar um de seus conterrâneos sair logo com as célebres perguntas: “E o fulano como vai? Onde está morando? Já casou?” Quando não conhece o fulano que se diz ser de Óbidos ai outra célebre pergunta: É filho de quem? De que família? E daí então, são elaborados questionários e questionários sobre a vida e os acontecimentos do cotidiano.
            Nós mesmos continuamos estas tradições, não mais com o sotaque carregado, mas com a mesma curiosidade, com certeza. Afinal, é a única forma de traçar a arvore genealógica e por fim descobrirmos se existe alguma relação de parentesco entre os conterrâneos.
            Sendo eu uma cabocla de Óbidos que gosta muito de viajar pelo interior da Amazônia, pois, não há melhor forma de recarregar as energias do que voltar às origens e apreciar as belas paisagens do nosso interior, sentindo aquele perfume agradável da mata e dos rios. Nas andanças por este Amazonas encontrei um fato interessante que somente em minha conversa com os amigos conterrâneos resolvi contar também aos leitores dos artigos.
             Existe no Estado do Amazonas um município chamado Parintins que realiza todos os anos o Festival Folclórico de Boi Bumba, é realmente um espetáculo, transmitido para outros países inclusive. Bem, para prestigiar este festival os turistas vêm de toda parte do Brasil e até do exterior, então se pode imaginar como a pequena cidade fica lotada, a população triplica e com o fenômeno, também todo tipo de situação acontece.
              Numa destas situações presenciei uma cena hilária e ao mesmo tempo, percebi a beleza do contraste cultural, que ainda permanece. Pois bem, andando com um grupo de amigos e apreciando a riqueza do artesanato local além do movimento de tantas pessoas na cidade, estas trajando sungas e biquínis (trajes usados normalmente para ir à praia ou à piscina). Porém, é interessante afirmar que em Parintins não tem praia e as pessoas usam estas roupas no centro da cidade, principalmente porque o verão amazônico é de deixar qualquer turista louco de calor e quem conhece Parintins sabe que é suicídio arriscar-se a pular no rio que banha a cidade devido à forte correnteza do Rio Amazonas, daí desfilarem pelas ruas em trajes de banho a espera de uma oportunidade para refrescar-se nem que seja em um dos chuveiros públicos, que ficam instalados em locais estratégicos pela cidade.
               Durante este passeio perto do porto, aonde atracam os barcos lotados de turistas, também chegara um barco vindo do interior próximo à cidade (“ do lado de “lá” como dizem os conterrâneos), deparei-me então, com duas senhoras beirando seus 70 e poucos anos com seus vestidos longos, cabelos amarrados no alto da cabeça e aquele jeito simples e caboclo, que saindo da pequena embarcação ficaram atônitas ao ver tanta gente em sua cidade e mais ainda quando perceberam que grupos de pessoas andavam a sua frente seminus, quase sem roupa.
               Uma delas não conteve sua indignação ver tal cena e logo disparou em seu caboclo arrastado:
             
“Mas deviam de pruibir desses home andar só de cueca pela cidade...”.
             
Sorri muito da cena e fiquei me perguntando o que elas diriam quando se deparassem com as mulheres andando de biquíni fio dental pelas ruas da cidade...
               
É parece que algumas coisas nunca mudam e algumas mudam para pior, pois o que para uns parece normal, para outros parece coisa e outro mundo.
                  Viva o nosso caboclo que ainda consegue se surpreender com a diversidade deste Brasil imenso. E permanece incrédulo aos acontecimentos assombrosos da modernidade!!!

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