Marinês Santos da Costa                                                                                             30/04/2007

“ÓBIDOS ÉS MINHA TERRA...”
Marinês Santos da Costa - santosmarines@hotmail.com

A primeira vez que escrevi para o site de Óbidos há alguns anos atrás, foi para agradecer ao idealizador do site por sua magnífica idéia de mostrar as belezas de minha cidade natal de que tanto me orgulho, pois, sempre que digo onde nasci não esqueço de falar que lá vivi os melhores anos de minha vida, por dois motivos: 1º vivi lá minha infância, o que para mim, é a melhor fase da vida e 2º havia como diziam meus avós “fartura”, não aquela de faltar, mas aquela de haver tudo em abundancia mesmo. Nunca pertenci a “elite” porque elite em cidades tradicionais como Óbidos se traduzia na época por famílias tradicionais com descendência de Coronéis ou por grandes empresários que já existiram e trouxeram algum progresso para a cidade etc...

Pois bem, a cidade na época em que vivi era e ficou sendo por muito tempo em minha memória com o meu paraíso o melhor lugar do mundo para se viver, aprendi lá a cantar o hino de Óbidos, que coisa mais linda, adorava cantar o hino antes de entrar para a sala de aula, aprendi que grandes personagens de nossa historia nacional nasceram em Óbidos, aprendi a ser cidadã Óbidense com muito orgulho. Talvez, por não pertencer à “elite”, um dia tive que sair da minha querida cidade, para a capital Belém, viver lá não foi fácil, lembro que lá tive conhecimento de duas noticias que me chamaram a atenção e ainda era uma criança, a primeira sobre o naufrágio de um barco que vitimou muitas pessoas, uma tragédia, e a segunda quando presenciei meus pais conversando sobre uma foto que aparecia no jornal de maior circulação da capital, onde se lia que o progresso havia chegado à cidade, pois Óbidos tinha suas ruas asfaltadas e fotos estampadas no jornal comprovavam tal fato. Longe de minha terra natal e ainda uma criança, fiquei a imaginar a rua de minha casa asfaltada, devia estar muito diferente. Os anos se passaram e com o falecimento de meu pai tivemos que voltar a morar em Óbidos, ao voltar qual não foi minha surpresa ao deparar-me com a rua de minha casa sem asfalto, pensei... Cadê o tal asfalto, o progresso... E perguntei aos meus tios que moravam lá o que houve, eles me disseram que foi uma montagem, ou seja, uma mentira pregada em um jornal por políticos. Como pode? Não entendi nada. Claro que com o passar do tempo entendi o que aconteceu, mas não entendi porque nunca ninguém tomou uma providência.

Hoje não moro em Óbidos, sai de minha terra com pesar novamente, porém, pela necessidade de ampliar meus horizontes, ou talvez, por que meu destino fosse este, mas todos os anos eu volto e passo nem que seja uma semana, faço questão de levar minha família e eles também, aprenderam a amar a cidade, vamos em julho, vamos ao carnaval, passamos o fim de ano lá, tudo é motivo para visitarmos a cidade, mesmo que não seja mais aquela de quando eu vivi a melhor época da minha vida.

Por este motivo, quando escrevi ao site naquele ano, deixei lá registrado minha enorme preocupação com o crescimento desordenado em volta da cidade, imaginei de imediato a Serra da Escama tomada por casas e sem nenhuma arvore. Que cena terrível para mim que sempre que vou à cidade me orgulho de mostrar a minha filha que de qualquer lugar se pode ver o esplendor da Serra da Escama banhada pelo nosso Rio Amazonas. E como dizem Óbidos é a cidade do “Já teve”, torna-se preocupante a forma como podemos perder também a nossa esplendorosa Serra da Escama.

Partindo deste principio, me pergunto e pergunto aos conterrâneos, o que se pode fazer? Se há tantos anos a cidade vem sendo deteriorada e ninguém encontra uma forma de mudar esta realidade, vejo em cada momento que chego às mudanças, para pior, as pessoas reclamam, nos contam coisas revoltantes, denunciam a nós como se pudéssemos fazer algo além de ficar pasmos. A questão é: Não conseguem provar nada e quando podem provar tem medo e quando não tem medo são ameaçados e quando mesmo assim denunciam não são tomadas providências para se punir, as leis não são respeitadas. Então o ciclo continua e como se pôde ver pelo inicio de minha história isso não acontece há pouco tempo. Não podemos dizer que esta realidade acontece somente em Óbidos, pois, em todo o País é assim, a corrupção generalizada e ninguém consegue fazer nada.

Como havia comentado em outro artigo sobre o equilíbrio, acredito seja isto que esteja nos faltando para avaliar e tomar as decisões que irão influenciar em nosso futuro e não é diferente com relação a discutir os problemas de Óbidos, pois, é o habitante que deve zelar pela cidade, exercer a cidadania, escolher melhor quem irá direcionar o futuro da cidade e cobrar os resultados. Porém, quando se fala em exercer a cidadania não é simplesmente votar. Os moradores de Óbidos têm uma grande vantagem em seu voto em relação às grandes cidades; a de realmente conhecer seus candidatos, pois eles são seus vizinhos, nasceram e se criaram na cidade, casaram, educaram seus filhos, trabalham lá, em uma cidade pequena como é todos sabem da vida um do outro (vamos ser realistas), então, nada mais fácil do que descobrir se o candidato é realmente confiável, como ele administra seus bens, como se comporta etc. Agora se nenhum deles merece confiança, ai é outro assunto. Mas como em todo lugar, os eleitores se deixam levar pelo encanto das palavras e outras coisas que seria relevante citar neste momento, depois querem que alguém resolva a situação. Ainda posso afirmar que a única coisa que muda uma realidade é a ação, propostas concretas, agir com inteligência, pois, esperar que apareça o “Salvador da Pátria” ai é sonhar demais.

Sigo amando minha Óbidos e guardando na memória àquela que ainda é o meu paraíso, torcendo para que os tempos mudem, as coisas melhorem principalmente que a Serra da Escama continue lá, verdinha, com flores de Ipê decorando suas encostas e refrescando suas margens com as águas do Rio Amazonas.

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