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Manuel Ayres 08/05/2010 |
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A BIOESTATÍSTICA EM QUATRO ETAPAS
Manuel Ayres Belém, 06/04/2010
Em 1990 estava visitando, pela primeira vez, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, cuja participação de meu filho José Márcio Ayres é bem conhecida. Ele havia defendido sua tese de Doutorado (PhD) em Cambridge, na Inglaterra e trouxe até essa Reserva o filho de um de seus amigos ingleses, cuja idade não ultrapassava 15 anos. Era um rapaz brincalhão e muito afável com as pessoas, admirava as paisagens, as águas, os peixes, os nossos caboclos e batia sempre um papo muito agradável. Em uma de suas conversas constatei, para minha surpresa, que ele tinha mais conhecimentos estatísticos do que eu. Perguntei, então, como ele tinha aprendido. “Na escola do segundo grau, na Inglaterra, sendo essa matéria obrigatória para todo o alunado”- ele respondeu. Lembro ainda, que quando foi efetivada a Reforma Universitária, em 1970, fiz uma proposta, na Comissão de Implantação dessa Reforma, para o Ensino da Estatística em todos os Cursos Universitários, aceita pelo Colegiado exceto para a Área Jurídica. Com o correr do tempo, foi aumentando meu interesse pela Estatística, sobretudo pela Bioestatística e pelo ensino dessa matéria, em nível de pós-graduação, que culminou com a publicação de um software de fácil entendimento pelos iniciantes nessa matéria (BioEstat), desenvolvido em Visual-Basic, com a participação de Manuel Ayres Junior, Daniel Lima Ayres e Alex Santos. Depois de ensinar a várias turmas da Universidade Federal do Pará, cheguei a quatro (4) passos básicos sobre o aprendizado da Bioestatística: I - todos os estudos começam com a obtenção de uma ou mais Amostras, considerando o escopo da pesquisa; em outras palavras, procura-se, com os dados obtidos, responder a uma Hipótese, a uma Suposição formulada sobre a População, objeto da pesquisa, admitindo-se um pequeno erro de conclusão, digamos de 5%; II - todos os dados coletados são descritos através de Tabelas, Gráficos, Medidas de Tendência Central (médias, mediana, moda), de Variação (variância, desvio padrão, erro padrão), de Assimetria e de Curtose; III - a partir da fase ii, aplica-se um Teste Estatístico adequado aos valores amostrais coletados, o qual, em sua grande maioria, resulta em um QUOCIENTE: um Numerador dividido por um Denominador: A/B. IV - Esse QUOCIENTE é traduzido em termos probabilísticos, capaz de confirmar ou rejeitar a Hipótese formulada (item i), Essa probabilidade, conhecida como p-valor, demonstra o Erro que se pode cometer nas conclusões da pesquisa: se for pequeno – 0.05 (5%) ou menor -, aceita-se a suposição formulada no início da investigação. Se for maior, a hipótese testada não tem validade. Em alguns testes, como Binomial, Poisson, Fisher, os relacionados com o Teorema de Bayes, o p-valor já é o próprio QUOCIENTE. A maioria dos cálculos envolve as quatro operações básicas: adição, subtração, multiplicação e divisão; os mais elaborados como raiz quadrada, cúbica, quártica, logaritmos e outros, as calculadoras e os softwares resolvem rapidamente; O aspecto mais importante é a obtenção do QUOCIENTE e o respectivo p-valor, sendo que em muitos testes a probabilidade está vinculada aos valores da Curva Normal. Nos modernos softwares sobre Estatística, entretanto, a resposta a essas questões é imediata. O importante é o entendimento dessas quatro (4) etapas dos estudos estatísticos, pois a matemática deixa de ser aquela preocupação dos anos anteriores ao desenvolvimento da Informática. É evidente que cada uma dos princípios acima relacionados (I, II, III. IV) exige conhecimentos adequados, mas estão todos disponíveis na grande maioria dos tratados sobre Estatística.
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