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Manuel Ayres 06/08/2007 |
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A TERCEIRA SENTINELA
Manuel Ayres A parte mais estreita do Rio Amazonas, com cerca de 1800 metros de largura e de grande profundidade, localiza-se em frente à cidade de Óbidos, cognominada de Cidade Presépio por estar situada em um elevado de grande beleza. Lá, nos idos de 1697, foi construído um Forte, para assegurar o domínio português da imensa e rica região amazônica, tendo recebido o nome de Forte Pauxis, em homenagem aos silvícolas que aí residiam. Holandeses, ingleses e franceses rondavam a área, e a construção desse Forte na calha única, onde navegava todo o tipo de embarcação de maneira obrigatória, constituiu uma sábia decisão dos nossos colonizadores. Essa Primeira Sentinela ainda está presente nos dias de hoje, resguardada como marco histórico do nosso país, sendo visitada por inúmeras pessoas, sobretudo pelas interessadas em arqueologia, pois ainda lá se encontram os velhos canhões que guarneciam o ponto estratégico do nosso grande Rio. Registro que o primeiro Ayres a visitar o Forte Pauxis foi o Mestre-de-Campo José Miguel Ayres, em 1749, pois a fortificação necessitava de reparos. Com o passar do tempo, outra Sentinela foi construída no topo da bela Serra da Escama – um ornamento natural da Cidade Presépio – tendo a Vila Pauxis recebido a denominação de Cidade de Óbidos. Esta Segunda Sentinela esteve sob a guarda do 40 Batalhão de Artilharia de Costa, comandada por um Oficial do Exercito Brasileiro, até meados dos anos 40 do Século XX, cujo Quartel, construído em 1909, abrigava os militares e representa outra bela Edificação da nossa cidade. A subida, até o cume da Serra da Escama, constituía um passeio agradável, realizado aos domingos, quando as famílias se encontravam e se reuniam no pé desse acidente geográfico, comemorando com churrascos, bons vinhos e guloseimas. Era sempre um encontro de fortalecimento das amizades. Em 1928, aos meus 3 anos de vida, lembro de um fato já registrado em diversos trabalhos publicados, relativo ao que denomino de uma Terceira Sentinela. Durante a primeira Grande Guerra Mundial, as tropas dos países que se enfrentavam em combate, começaram a utilizar pequenos aviões para detectar a posição das forças inimigas, que não poderiam ser visualizadas com os instrumentos de terra – binóculos de longo alcance – e, para tristeza de Santos Dumont, também lançavam bombas pesadas. Essas aeronaves passaram, assim, a assumir um papel de Sentinelas. Ora a nossa Óbidos sempre assumiu função de vigilante ao longo de muitos anos, daí a idéia das Forças Armadas Brasileiras de situar um desses aviões na Cidade Presépio, para aumentar o desvelo, pois a visibilidade dos aviadores ultrapassava, de muito, aquela obtida das nossas fortificações. Assim, para a nossa Cidade foi enviado um hidroavião monomotor da Marinha Brasileira, com suas peças em caixotes, a fim de ser montado o aeroplano, objetivando fortalecer a vigilância da nossa Amazônia. A montagem das peças ocorreu na beirada do rio, em frente à Pharmácia Esculápio, conforme fotografia transcrita nesta narrativa e datada de 1928. Lembro que brinquei, com meus irmãos, junto a esse avião, pois era um forte atrativo para a garotada. Várias repercussões podem ser aferidas desse inédito episódio, como a chegada dos hidroaviões da Panair, trazendo benefícios imediatos para os obidenses. Outra, com certeza, foi a idéia de meus irmãos, José e Miguel, com seus 12 e 13 anos, de construírem no quintal de nossa casa um avião, cuja hélice de madeira ainda se encontrava na residência de nossos pais até o final do século XX. Todos desejavam viajar na aeronave que estava sendo construída. Infelizmente, com o falecimento desses meus entes queridos e tão jovens, o sonho não se realizou, mas serviu para a projeção das idéias concebidas com o estímulo do 445. Pronta a montagem, as rodas foram retiradas e o hidroavião foi colocado em cima das águas do grande Rio e levado até próximo a uma fazenda, à margem esquerda, conhecida como Patury. De lá o motor começou a roncar, para a “decolagem da aeronave”, estando toda a população obidense, de pé, procurando assistir a esperada ascensão de mais uma Sentinela - a Terceira – da Calha Amazônica. Foi uma pena, mas os pilotos não tiveram sucesso. Por motivos que não chegaram ao meu conhecimento, o hidroavião afundou, mas os bravos leiteiros, rapidamente, com suas pequenas canoas e seus remos, conseguiram salvar a tripulação. Esses anônimos defensores merecem a nossa admiração e deviam receber medalhas de ouro, como aquelas obtidas pelos nossos atletas no Pan de 2007.
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