Manuel Ayres
O Paneiro é um objeto muito comum nos barracos e demais
residências das populações amazônicas. Nele se guardam castanhas,
perobas, bananas, cacau, objetos de pequeno porte e quinquilharias
diversas. No porto de Belém, por exemplo, é comum chegarem barcaças
cheias de Paneiros de açaí, como estampa a figura abaixo.
É,
portanto, um objeto amazônico, considerado peça preciosa nas casas dos
nossos caboclos.
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* * * * * * * * * * * * * * * * * * Quando dirigi o Tribunal de Contas do Estado do Pará, na penúltima década do século XX, tomei conhecimento da necessidade da construção de um anexo contíguo às instalações existentes, eis que as ações de Controle das Contas Estaduais estavam exigindo maior número de pessoal qualificado e, portanto, maior espaço físico, como também a informatização de suas atividades. Esses melhoramentos, por todos desejados, esbarravam nos limites orçamentários do Tribunal. O Conselheiro José Maria Barbosa já havia traçado o esboço arquitetônico de um anexo desejado e me fez a doação da planta do novo prédio a ser construído. Ao lado do edifício principal do TCE havia uma casa à venda por um preço razoável, mas não havia recursos disponíveis para essa aspiração.
Os Presidentes do TCE, periodicamente, mantinham audiência com o Governador do Estado, sobretudo para as revisões orçamentárias anuais. Em um desses encontros, municiado das informações necessárias, coloquei o assunto do Anexo a sua Excelência, o qual, de pronto, atendeu meu pedido, desapropriando judicialmente a referida casa e solicitando que eu informasse o valor da construção, para o respectivo repasse da verba. Ponderei que seria muito difícil acompanhar toda a execução da obra, solicitando que os recursos fossem repassados à Secretaria de Obras do Estado, a qual efetuaria essa árdua tarefa de engenharia. Mais uma vez, o Senhor Governador concordou. Ao término da construção desse Anexo, sua Excelência compareceu ao Tribunal para descerrar a Placa referente a esse empreendimento.
Do mesmo modo o Governador do Estado, em outra audiência, concordou com o nosso pedido de recursos para informatizar o Tribunal, tendo liberado os recursos de imediato. Foi um empreendimento da maior importância para as atividades meio e fim desenvolvidas no TCE. Quando as contas do Chefe do Governo Estadual foram examinadas e aprovadas por unanimidade pelo Plenário do Tribunal, o Governador foi convidado para ler a Decisão dos Conselheiros, pressionando apenas uma das teclas do computador. Ele ficou perplexo com a rapidez da resposta e parabenizou toda a equipe técnica ao seu redor.
Dois outros pedidos foram feitos ao Chefe do nosso Estado ainda na minha administração: a publicação de um livro sobre Serzedello Corrêa, de autoria do eminente Professor Clóvis de Moraes Rêgo, assim intitulada: Serzedello Corrêa, Homem de Pensamento, e a reedição da obra POLYANTHÉA, também sobre Serzedello Corrêa, escrita no final do século XIX por personagens eminentes, cuja cópia original me foi cedida pelo Dr. Habib Frahia. A reapresentação desta bela obra foi um trabalho elaborado em conjunto pelo Governador do Estado e o Presidente do TCE, e cujo primeiro parágrafo vai a seguir transcrito:
“Uma das maneiras mais adequadas para avaliarmos uma idéia que já evoluiu no tempo é confrontá-la com seu modelo original. Não na convicção, que seria imprópria, de nos voltarmos para o passado, quando o presente nos parece carregado de sombras e dúvidas, apresentando desvios do pensamento que outrora inspirou grandes homens e grandes feitos. A linha da História não permite opção de retrocesso, e devemos conhecer em profundidade seus passos justamente porque os que desconhecem a História estão condenados a repeti-la.”
As capas desses trabalhos sobre Serzedello Corrêa – Homem de Pensamento e POLYANTHÉA - estão destacadas a seguir:
Em face da frutuosa colaboração do nosso eminente Governador do Estado ao TCE, propusemos, em Plenário, a concessão da Medalha de Ouro “Serzedello Corrêa” a Sua Excelência, acolhida por unanimidade.
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Muito bem, e que relação poderia haver entre o trabalho que desenvolvemos no TCE no período da minha Presidência e o Paneiro, que foi destacado no início desta crônica?
O Tribunal de Contas preparou a solenidade para a outorga da Medalha, com a participação de ilustres Membros do Conselho Estadual de Cultura. E após meu pronunciamento sobre os méritos de Sua Excelência e a entrega da Comenda, o Governador usou da palavra, e ao agradecer o recebimento da Homenagem, destacou a relevância das atividades do TCE sobre o controle das contas públicas estaduais, em sua colaboração com a Assembléia Legislativa do Estado. Ao final, virou-se para mim e disse: “O Presidente desta Casa é uma pessoa muito simples e que nada pediu ao Governador para si, mas levou tudo o que solicitou para este Tribunal: obteve o Edifício anexo, a Informatização desta Corte e a publicação de duas grandes obras sobre Serzedello Corrêa. O que muito me admira e surpreende, todavia, é que esta é a primeira cerimônia de que participo, na qual se concede Medalha tão relevante a uma só pessoa, pois o comum é sempre a distribuição aos participantes desses eventos, de um Paneiro de Medalhas”. Um sorriso confirmatório aflorou na face dos presentes.
O Governador do Estado era o Dr. Hélio Gueiros.
Manuel Ayres 02.09.2008 * Saiba mais sobre Manuel Ayres no nosso painel de personalidades: Clique Aqui |