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João Imbelloni 31/05/2010 |
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A CRÔNICA DE MAIO
É muito difícil não escrever sobre o meu habitual tema de fim de mês: Alibarbudo e os demais torpes políticos envolvidos em safadezas. Por falar na corja, está ela muito satisfeita com a malandra modificação de duas palavrinhas no projeto Ficha Limpa, bem como, festeja o grande porre da Copa do Mundo de Futebol que o povo brasileiro tanto gosta, esquecendo-se de tudo o mais. Seria ótimo um povo com a mesma disposição – vestido com as cores verde e amarela – para ir às ruas lutar pelo direito à verdadeira cidadania e pugnar pelas imprescindíveis necessidades de políticas públicas não enganosas. Chega de bolsas e cotas! Passou da hora do insurgimento contra o caos na Educação, Saúde, Segurança, Transporte, etc., etc. Pronto! Quase caio na tentação de continuar gritando para os calados cidadãos e para os honestos (?) políticos que parecem amordaçados pela omissão das conveniências...
Penso agora em “coisas boas”, como me aconselham, entre as quais o vindouro Dia dos Namorados. Abro a janela e olho para a pouca claridade lá fora. Iminente se faz a queda da tradicional chuva na tórrida tarde de Belém. Macaco velho na condução de minhas saudades, inexplicavelmente chego às lágrimas, talvez pela força das canções vindas da casa ao lado, ou, quem sabe? pelas nítidas lembranças do passado. Quedo-me a pensar em especiais pessoas – algumas não estão mais aqui -, porém, para não cometer injustiças e satisfazer minha consciência poética, não citarei nomes. E segue a angústia do devaneio na elevada temperatura de mais um findante dia belenense.Tento reunir forças para vencer a opressão oriunda da pressão que me cobra uma vida que poderia eu estar gozando nesta altura do campeonato, mas dentro do padrão que a grande maioria acha correto. Sem culpar ninguém pelos percalços nascidos do “pecado” de ser tal como sou, não debito à sorte o difícil caminho que venho trilhando ao longo dos anos, caminho esse solitário quase sempre, todavia povoado de trabalho, sonhos, poesias e muito longe do que seria o ideal para muitos. Mundo verdadeiro? Contudo, não seria também verdadeiro sonhar? Ser um poeta dos maus e bons momentos? Amar os animais e a Natureza como um todo? Plantar humanas obras? Sonhar faz parte da minha vida. E lá vou eu sonhando (sim!) com o verdadeiro amor, base de um mundo melhor (mais humano, mais justo, mais solidário, mais fraterno e mais feliz). Pertenço ao time dos que não acreditam na existência do céu e do inferno, principalmente na concepção que nos é imposta (terrorismo?) desde a tenra vida neste Planeta. Assim fosse (a existência de um paraíso contemplativo e a eterna punição pelo fogo e enxofre), o Infalível Criador, Essência da justiça, bondade e amor seria falível e injusto com relação às criaturas. Ele, mesmo sendo Tudo, submete-Se, igualmente, às Leis Eternas que criou. Daí a existência do livre-arbítrio, dos erros (pecados), mas, sobretudo, da evolução e da eterna oportunidade do arrependimento e da consequente redenção de qualquer espírito, por mais pecador e sórdido que possa estar sendo em determinados momentos de sua perenidade, encarnado ou não. A dura realidade e o estudo ensinam que “a nossa filosofia deve ser feita à imagem e semelhança do Universo”. Aristóteles, Bergson, Hegel, Kant, Platão, Spinoza, Tomaz de Aquino, etc. foram e serão muito respeitados na “evolução do pensamento humano”. No entanto, aprendi que, “hoje em dia... nenhuma dessas pessoas pode continuar a servir de base ou meta final do pensamento filosófico”. Minha mente tenta simplificar o escrito – para o completo entendimento de certos e poucos leitores especiais – citando alguém da mesma importância dos sábios supra mencionados (blasfêmia! Dirão muitos). Refiro-me a um saudoso nonagenário obidense nascido na “Costa de Cima”, que, no tempo da minha inesquecível juventude, já falava do paradgma seguido pelos caboclos, o qual resume uma sábia verdade que, apesar de tão óbvia, é entendida e seguida por poucos. Dizia-me a netinha do bondoso ancião, inesquecível namorada que hoje labuta no Mundo Espiritual: - O vovô tem razão. Você quer ser saudável e feliz, meu querido? Faça o Bem, unicamente o Bem! É um santo remédio para todos os males. E jamais se esqueça da resiliência (arte de dar a volta por cima), conforme ensina o filósofo Nietzche: - “o que não destrói me torna mais forte”. Preciso dizer que no “fazer o Bem”, necessária se faz a inclusão dos outros animais (irracionais?), vilipendiados no sagrado direito de viver como filhos do mesmo Pai.
Os respingos da chuva começam a atravessar o espaço da janela e, ao se misturarem aos pingos das lágrimas, trazem grande paz ao espírito. Cerro, então, a janela e a cortina do devaneio que me trouxe a saudade daquela jovem. Quando a chuva passar, tentarei fazer muito mais o Bem, antes da volta do calor da comodidade e da inércia.
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Para a jovem (na tarde de ontem-domingo de nostalgia) rabisquei no guardanapo de papel de um dos belos recintos da “Estação das Docas”, olhando para a baía embalada pelo forte vento que anunciava a chuva que esconderia o por-de-sol por mim aguardado:
Do outro lado Destas ondas Aguardas-me Para o encontro.
Do outro lado Deste grande vazio Do mar nostálgico Partiu o teu convite.
Do outro lado Aguardas a resposta Que hoje te dou: Abandonarei este Porto!
Aguardas somente O necessário tempo Para juntar na bagagem As obras que planto.
E neste tempo de preparação Medido pela eternidade, Trabalharei, ainda, horas, dias, Meses, quiçá alguns anos.
Do outro lado Sabes tu e o Comandante O quanto estou me preparando Para a grande travessia.
Firme no timão Seguirei contente Até atracar, resoluto, No Cais onde me esperas.
A ti darei um grande abraço Matando as saudades. Ao Chefe, prostrado e feliz, Espero dizer: Missão cumprida!
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Belém (PA), 31 de maio de 2010. João Imbelloni
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