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João Imbelloni 30/12/2009 |
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PREITOS EM RETALHOS
Passados milhões de anos o eclipse da morte terrena, em obediência às leis eternas, atinge em cheio a todos os terráqueos, inclusive as luzes estelares. Entretanto, do “outro lado” o fenômeno passa e, como depois de qualquer eclipse, as luzes que têm méritos conquistados através das boas obras, retornam ainda mais brilhantes e com a certeza de não mais serem ofuscadas, num lugar onde a escuridão não existe para medir o tempo dos novos trabalhos dos escolhidos bons espíritos. Foi assim que no mês próximo passado “perdemos” algumas importantes e queridas pessoas de destaque no Estado do Pará e no Município de Óbidos, as quais, acho eu na minha ignorância, partiram “antes do combinado” para o Plano Espiritual. Procurarei homenagear duas delas que, no meu entender, representam muito bem as demais que foram embora deixando saudades. Desse modo (é preciso dizer!), além do aprendizado na grande Escola, a primeira aprenderá com a segunda que, apesar dos outros bons atributos, a amizade desinteressada é o exercício da verdadeira e permanente fraternidade. A segunda confirmará junto à primeira o ensinamento do que sempre praticou: a base de toda liderança “não é o poder e sim a autoridade” conquistada, sobretudo, pelo exemplo e com muito amor. Uma simples, mas sábia escolha é o começo...
1) Distante nos últimos momentos, todavia, no início, acompanhei muito de perto a carreira empresarial do doutor Luiz Rebelo Neto (nasceu e morreu em Senador José Porfírio). Naquele tempo, ao lado do pai José Alvarez Rebelo, buscava novos caminhos e o apoio da Instituição por mim gerenciada em Altamira. Desde cedo, o grande empresário mostrava uma inteligência e argúcia diferenciadas, somadas a um imenso otimismo e inabalável confiança no futuro. A partir daquele tempo, quando as circunstâncias lhe impunham algum problema, só ficava sossegado no momento em que, sorrindo, falava o bordão que o acompanharia por toda a vida: “Já tenho a solução!” Em que pese as grandes dificuldades impostas aos empreendedores da Amazônia, principalmente do interior, o empresário (realizado, probo, filho, irmão, pai e marido exemplar) fez de uma minúscula semente plantada no Xingu (ao lado da família) uma gigantesca árvore denominada Grupo REICON, hoje composto por muitas empresas que atuam, brilhantemente, em diversas áreas da economia nacional. Professor da perseverança, do positivismo e da estratégia, com o trabalho sério que se impunha, muito fez pelo País e pela Amazônia que defendia com redobrada coragem, sendo um dos precursores do verdadeiro trabalho sustentável. Toda a navegação fluvial e os seguimentos ligados ao sistema aquaviário, bem como os outros diversos seguimentos em que atuava com a mesma imensa competência, sentirão a falta do líder natural e eterno Presidente da REICON e da Federação Nacional das Empresas de Navegação Marítima Fluvial e do Tráfego Portuário (sede no Rio de Janeiro-RJ). Às vezes a saudade me leva aos distantes anos (final da década de setenta e início da década de oitenta) dos prazerosos passeios de final de semana a Senador José Porfírio (naquele tempo Souzel) a convite do iniciante e jovem empresário e seu genitor, o hoje alcunhado, com merecimento, “Barão do Xingu”. Tempos que marcaram... Inesquecíveis momentos de entretenimento e aprendizado.
Do meu afastado e silencioso lugar de reflexão e nostalgia vejo o doutor Luiz ser homenageado – com toda justiça – por políticos de relevo, governantes, comandantes navais e de outras forças, chefes de organizações governamentais e não governamentais e do empresariado paraense e nacional, sabendo, contudo, que o antigo amigo dos difíceis tempos do passado, pela sua Grandeza, receberá feliz esta simples, porém sincera prova de respeito.
2) Passando do mundo empresarial para o não menos importante mundo cultural, outro passamento que muito me entristeceu foi o do Miguel Venâncio. Inda criança o conheci já colaborando com a cultura pauxis, mormente nos imorredouros carnavais do passado. No presente, ostentava, ainda, o mesmo perene brilho. Não se pode, porém, lembrar do Miguel somente por ter sido ele alegre e festivo no dia-a-dia e no Carnaval. Claro que não! Sua maior força era a maneira com a qual enfrentava as dificuldades inerentes à luta neste Planeta. Deixou para todos nós uma grande lição de vida, em todos os sentidos, mostrando-nos que a real simplicidade é a estrutura dos vencedores. Em qualquer Plano será sempre uma das referências obidenses, de tamanha importância que chegam a me faltar as palavras; mas, quando o coração do poeta transborda de saudade, esse sentimento transforma-se em lágrimas de poemas. Por isso, apresento o acróstico a seguir, singela e sincera forma de homenagear o saudoso cowboy, Zorro, mosqueteiro, mascarado, etc... Criaturas que não temiam a Vida, tal qual o Criador.
Muitas vezes ele foi o Zorro ou Intrépido mosqueteiro do bem. Gostava das fantasias e dos sonhos, Unificando na bandeira do Carnaval, Exéquias antecipadas das partidas, Laureado solenemente pelo Pai.
Vertendo lágrimas da saudade, Estandartes, blocos, foliões, parentes, Nativos, amigos e qualquer carnavalesco, Aguardam pela próxima popular Festa No anteceder das sagradas cinzas, Cantando em homenagem ao artista, Intuitivo músico do pau e corda, todavia, O sempre doutor e maestro do Exemplo...
Belém (PA), 10 de fevereiro de 2010. João Imbelloni
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