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João Imbelloni 31/01/2010 |
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A CRÔNICA DE JANEIRO
Nas habituais previsões de todo final de ano, pretensos adivinhadores falaram de times de futebol, falecimentos de celebridades (sem citar nomes), escândalos costumeiros no meio político e outros possíveis acontecimentos neste ano; adivinhações quase sempre tão previsíveis que qualquer comedor de feijão poderia fazê-las com grande probabilidade de acerto. Nem um adivinhador, no entanto, teve na mente que pelo simples fato de habitarmos a Terra, estaríamos propensos a sofrer os catastróficos desastres deste primeiro mês de 2010, iniciando pelos deslizamentos de terra, enchentes, estiagens e desgraças outras em vários estados brasileiros, culminando, no exterior, com a cruel devastação da Capital e outras partes do Haiti, ensejada por um terremoto que matou mais de cento e setenta mil pessoas, feriu centenas de milhares e desabrigou, praticamente, quase toda a população dos locais atingidos. Infelizmente, além de vários feridos, morreram militares brasileiros e destacadas figuras do nosso País – no meio das quais a doutora Zilda Arns – que ali se encontravam dando o grande exemplo da solidariedade. Prevejo, sem ser advinhador, que tal como Fênix, apoiado por muitos países e escorada na força do seu povo sofrido, todavia valente, aquela Nação renascerá dos escombros... Aberta a cronicazinha volto ao foco da mesma, lembrando-me do mestre Tolentino, suposto adivinhador de um bairro de Belém. Em dezembro de 2008 ele previu que o nosso Presidente teria um terceiro mandato em sequência. Enganou-se. Em dezembro passado afirmou que não falhara, uma vez que, agora, tinha a certeza que esse mandato será via Dilma Rousseff. Poderá ser! Quem diz isso é a dona Genoveva. Adivinhadora-mor do populoso bairro, nem precisa dos seus “poderes”, segundo ela, para concordar com mestre Tolentino. –“O leviano eleitorado está satisfeito com as bolsas assistencialistas, cotas e tantas bondades que serão, substancialmente, aumentadas neste ano eleitoral”. Garante, ainda: -“Esse povo está satisfeito, também, com o amplamente divulgado crescimento do País”. Contudo, Humberto Jônatas Jorge Miranda não tem qualquer dúvida: -“Esse propalado crescimento nunca aconteceu, se comparado com o crescimento do mundo no mesmo período. Na verdade, o Brasil, para ter crescido mesmo, precisaria quase ter dobrado os índices de crescimento alcançados no governo Lula. Agora, como colocar isso na cabeça desse povo? Será que esse eleitorado não está vendo, assim como o Presidente, a situação caótica na Saúde, Educação, Segurança e Estrutura do Brasil?” Por falar em cabeça desse povo, preocupantes são os dados do TSE sobre a escolaridade do eleitorado, revelando que 127,3 milhões (51,5%) dos aptos a votar até dezembro do ano passado não têm o primeiro grau ou mal assinam o nome. Há 57,96% de eleitores brasileiros fragilizados pela deseducação e os analfabetos são 6,46% do eleitorado do País, mais concentrados no Nordeste, onde, “para alegria e júbilo do estelionato eleitoral, constituem massa de manobra de 4,2 milhões de eleitores”. No nosso Estado não seria diferente. “A baixa escolaridade e um grande número de analfabetos ainda marcam o perfil do eleitorado paraense em pleno século XXI. 385.916 eleitores (8,39%) são analfabetos e 981.881 eleitores, ou seja, mais de 20%, mal assinam o nome”. Dona Genoveva tem razão: -“Sem escolaridade básica, sem informação, o eleitor é presa fácil dos demagogos”. Os adivinhadores, igualmente, nada falaram de uma certa reunião na Granja do Torto neste findante mês. Comprovando-se o uso da máquina pública em benefício próprio, o Presidente e seu ministério reuniram-se, solenemente, e dos 14 pontos abordados na reunião ministerial, 12 foram de caráter político-eleitoral. Herdeiro e continuador das boas coisas implementadas no governo anterior, mesmo assim, o principal assunto foi o desejo de Lula fazer, na campanha, um “plebiscito” julgando os governos de FHC e os seus. Do alto de mais um surto autoritário proveniente do seu convencimento de que é apoiado pelo povo, informou que contará com o incondicional apoio dos subservientes ministros. Dinheiro não será problema, enfatizou o grande gastador inconsequente e defensor de um “Estado Forte”. Quanta inveja do “cumpanhêro” Chávez, que está apodrecendo e poderá cair de cima do seu trono... Mais uma vez uso as palavras de dona Genoveva: -“Nunca antes na História deste País se leu tanto na mídia que a decisão final, de tudo no governo, cabe ao Presidente. E a Dilma será a continuidade da grande adminstração, disso mestre Tolentino e o Presidente têm certeza, rezando, todavia, para não se repetir a frustrada tentativa de Lula transferir votos para uma determinada candidata do PT à Prefeitura de São Paulo no último pleito, bem como, a possível repetição, aqui no Brasil, do que aconteceu no Chile, quando o candidato da Presidente Michelle Bachelet (a qual tem mais popularidade do que o colega brasileiro) perdeu as eleições presidenciais”. Desonesta propaganda – indício do sonhado “plebiscito” – informa que nunca antes na História deste País houve tão grande mudança na vida de cincoenta milhões de brasileiros mais pobres que embarcaram numa razoável “linha de contínuo progresso” a partir dos anos tucanos de 1996 e 2002. Como lenha na fogueira para aquecer um honesto plebiscito se for o caso, apresento alguns importantes indicadores dos dois governos, frutos das investigações (não adivinhações) do professor Cláudio Salm: “Quando Fernando Henrique Cardoso tinha um ano de governo, 48,5% dos domicílios pobres tinham água encanada. Em 2002, ao fim do mandato tucano, a percentagem subiu para 59,6%. Uma diferença de 11,1 pontos percentuais. Em 2008, no mandato petista, chegou a 68,3% dos domicílios, com uma alta de 8,7% pontos. O acesso à luz elétrica passou de 79,9% em 1996 para 90,8% em 2002. Em 2008 havia luz em 96,2% dos domicílios pobres. Durante o tucanato, os telefones em domicílios pobres pularam de 5,1% para 28,6%. Na gestão petista chegaram a 64,8% das casas”... Outros indicadores (vergonhosos nos dois governos e que persistem) não permitiriam gabolices e exaltações nos palanques da vida. Sem puxar a sardinha para a brasa de ninguém e colocando isso tudo no liquidificador da verdade, extrai-se as palavras do Elio Gaspari: -“Nunca antes na história deste País um governante se apropriou das boas realizações alheias e nunca antes na História deste País um partido político envergonhou-se de seus êxitos junto ao andar de baixo com a soberba do tucanato”. Todos os governos, aí incluídos Castelo Branco, Vargas, Juscelino e Collor/Itamar Franco, lamentavelmente, não quiseram ou não souberam livrar a sociedade do jugo da política suja, da corrupção, do clientelismo e da imensa crise ética e moral, ainda que tenham conseguido tímidos avanços. As oposições procurarão convencer um eleitorado de tantas peculiaridades ruins, para que se evite a continuidade de um governo que: “aparelhou o Estado e descuidou de sua eficiência”, inchando a máquina sem que ela funcione a contento; dá apoio e, veladamente, financia os criminosos do MST; deixa a desejar na atuação em prol da Educação, Saúde, Segurança, Transporte Público e na estrutura do País; consagrou a imoralidade na administração pública; não é democrático quanto à relação entre os Poderes que estão deteriorados e o Congresso extremamente diminuído; prima pela mediocridade forjada nos maus hábitos “a começar pela corrupção que não escandaliza mais ninguém”; etc., etc. Ninguém adivinhou, tampouco, que os ex-guerrilheiros e outras tristes personalidades que encabeçam o governo, tentariam, uma vez mais, impor ao País as consequências do famigerado Programa Nacional de Direitos Humanos (?) que, para ser sucinto, seria “um golpe nas relações das instituições com a Democracia”. Argumentam os brasileiros comprometidos com a coletividade: “O texto revela intolerância religiosa, agressão ao direito de propriedade, interferência direta nos meios de comunicação, entre outras pérolas. A mídia destaca “que tudo foi apresentado com a chancela do Presidente (assinou o texto) e da candidata Dilma (caminho que põe em risco as instituições)”. Para aumentar a farra do ano eleitoral, diga-se de passagem, também teremos a realização da Copa do Mundo e o povo terá com o que se preocupar. E o que interessa, mesmo, poderá ficar para depois, quem sabe... daqui a quatro anos. Enquanto isso (faço minhas as palavras do Gaudêncio Torquato) “não é de admirar que nem a paisagem desolada das tragédias que assolam o País neste ciclo de chuvas torrencias consiga tirar o sossego de Lula, o filho do Brasil, impávido, com o seu isopor na cabeça”.
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Belém (PA), 31 de janeiro de 2010. João Imbelloni
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