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João Imbelloni 30/09/2009 |
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A CRÔNICA DE SETEMBRO
No momento em que o grande jornalista e amigo de Óbidos Ronaldo Brasiliense afirmou que a “crise atinge municípios paraenses” (O Liberal de 27 do corrente) baseado no alerta do Presidente da Associação dos Municípios da Calha Norte e Prefeito do nosso Município, constatou-se que o Gestor Público fez chover no molhado quando, em justas queixas à Governadora do Pará, disse que “é grave a crise!”, lamentando a queda dos repasses das cotas do FPM e dificuldades outras. Enquanto isso, o jornalista Cláudio Humberto informava à Nação que “além dos US$ 332 milhões para construir uma estrada, o governo Lula deu mais US$ 4 milhões nossos ao presidente cocaleiro da Bolívia, Evo Morales, para saúde e educação. Dos bolivianos, claro”. O bondoso pai dos pobres, das cotas, das bolsas... Esqueceu que a base do País são os municípios. O que fazer? Quando tentei, por diversas vezes, sensibilizar o Chefe do Poder Executivo obidense para a realização de um encontro de trabalho (buscando responder a essa e outras perguntas) com expoentes de vários vértices do Conhecimento, a maioria de obidenses, pensava, por motivos óbvios, que o mesmo, além de autorizar a medida, tomaria parte no evento, liderando-o, inclusive, atitude que seria normal no Comandante de um grande e diferenciado Município. Escrevi também, ratifico, que se trataria de uma Reunião de Trabalho, muito longe dos foscos encontros que se realizam por aí, sem o foco contido na proposta em questão, a qual nada tem contra os assessores municipais, bem como jamais pretendeu ir de encontro à capacidade dos técnicos da AMUCAN. Apenas, não há como negar, todos estariam diante da maior bagagem de conhecimentos dos preparados eruditos, que poderiam, juntamente com o objetivo maior, proceder ao ensinamento e treinamento (aprendendo também, tenho a certeza) não só dos técnicos, mas, de todos os participantes, numa soma final que ajudaria a implementar, em tempos bicudos, medidas desenvolventistas em consonância com os anseios da população obidense que tanto espera por investimentos no sofrido Município, mormente pesados investimentos na Educação, base de tudo... Falam tanto de sustentabilidade, mas, este País há décadas sustenta a sua produção na base da “maneira suja e barata”, em todos os sentidos. No caso da Amazônia, como triste exemplo, mandam “atear fogo na mata e soltam o gado”. E outros “bichos” da incontida ganância. Por esses e muitos outros graves problemas, necessária se faz a grande união de forças (políticos e governantes sérios no meio) para sairmos da contramão da história e possamos evitar, entre tantas coisas sórdidas, a continuidade do estatismo, do assistencialismo, do empreguismo, etc. Caramba! Saí novamente do mote da cronicazinha, todavia, foi a indignação que guiou os meus passos, digo, as minhas mãos. Assim, explico que voltei ao assunto – antes de encerrá-lo, definitivamente – para responder às abordagens de conterrâneos interessados. Das mensagens que recebi, uma no Livro de Visitas deste Portal da Esperança e as demais no meu e-mail, já as considero respondidas sem maiores detalhes, destacando, no entanto, a mensagem enviada por um Doutor obidense que, ao concordar com a Reunião de Trabalho sugerida, apressou-se em mandar uma Proposta que chamarei de “Cetácea”, lembrando a alcunha do tempo de colégio interno desse amigo e irmão que hoje se destaca no cenário de um grande estado brasileiro. Tentarei apresentar sucintamente e a quem interessar possa, o trabalho do ilustre amigo, observando que, caso haja no Município alguns dos empreendimentos propostos, que eles possam ser, quem sabe, aperfeiçoados. Da mesma maneira, o autor não se opõe, tenho certeza, que a proposição seja enriquecida e/ou melhor adequada por quem conhece de perto a realidade e peculiaridades da região, desde que em benefício dos empreendedores obidenses.
PROPOSTA CETÁCEA (Resumida) Autor: Tucuxi
Objetivo
Criar um polo de desenvolvimento sustentável em Óbidos, com foco em Piscicultura, Fruticultura, Apicultura e Reflorestamento (via Cooperativismo, de preferência).
O Cooperativismo é a forma mais prática de inserção e participação de pequenos empreendedores, além de ser o meio mais eficiente de gestão e também de comercialização dos produtos, devido à força da representatividade de uma instituição como essa junto a fornecedores e ao mercado consumidor. Assim, a criação de uma Cooperativa (ou cooperativas) é pressuposto básico para a viabilização do Polo.
Ações de Responsabilidade da Prefeitura
. -Apresentar projetos bem fundamentados aos Governos Estadual e Federal, às organizações governamentais e não governamentais, nacionais ou internacionais, contendo custos, prazos (desde a fase de estudos até à produção e comercialização), beneficiários diretos e indiretos, impacto ambiental e perspectivas sócio-econômicas para o Estado e Município; . -Solicitar aos Governos Estadual e Federal, recursos a fundo perdidos e aval para linhas de crédito diferenciadas junto ao Banco do Estado do Pará, Banco da Amazônia, BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal; . -Incentivar a formação de Cooperativas; . -Promover Seminários para divulgação da iniciativa, com palestras de representantes das diversas entidades envolvidas (Prefeitura, Governo do Estado do Pará, Universidade do Estado do Pará, UFPA, UFRA, EMBRAPA, SAGRI, EMATER, empresários, bancos, etc).
1. Piscicultura
Ações
. -Utilizar os lagos já existentes e/ou formar tanques para a criação de quelônios e peixes em geral, com ênfase para Tartaruga, Pirarucu, Tucunaré, Tambaqui, Curimatá e outros que se adaptem a esse tipo de cultivo. Responsabilidade: Empreendedores.
. -Buscar apoio da SAGRI, EMBRAPA, UFPA, UFRA ou outras organizações afins, para cessão de pessoal especializado visando viabilizar o Projeto e capacitar formadores de mão-de-obra para as diversas atividades do empreendimento. Responsabilidade: Prefeitura e Empreendedores.
. .-Comprar, inicialmente, ração e alevinos de fornecedores particulares (de Manaus, por exemplo). Num estágio seguinte, produzi-los localmente. Responsabilidade: Empreendedores.
. .-Incentivar a produção local de ração e alevinos. Responsabilidade: Prefeitura e Empreendedores.
. 2. Fruticultura e Reflorestamento
Ações
. -Utilizar áreas desmatadas, as quais serão reflorestadas de modo consorciado entre árvores nativas e frutíferas, estas escolhidas de acordo com a atratividade econômica e outros fatores. Alguns exemplos de cultivo: açaí, banana, abacaxi, cupu-açú, castanha do Pará, pupunha, tucumã. Responsabilidade: Empreendedores.
. -Buscar apoio nas organizações citadas anteriormente, para cessão de pessoal especializado visando viabilizar o Projeto e capacitar formadores de mão-de-obra para as diversas atividades do empreendimento. Responsabilidade: Prefeitura e Empreendedores.
. -Disponibilizar local (viveiro) e infraestrutura para cultivo de mudas de árvores nativas e frutíferas. Responsabilidade: Empreendedores.
-Incentivar a produção local de mudas de árvores nativas e frutíferas. Responsabilidade: Prefeitura e Empreendedores.
. -Agregar valores aos produtos comercializados. Produtos orgânicos, por exemplo, têm um diferencial muito grande em preço.
Responsabilidade: Empreendedores
. 3. Apicultura
Ações
. -Buscar apoio da SAGRI, da EMBRAPA ou outras organizações afins, para a cessão de pessoal especializado visando viabilizar o Projeto e capacitar formadores de mão-de-obra nas diversas atividades do empreendimento. Responsabilidade: Prefeitura e Empreendedores.
. -Buscar apoio das organizações acima citadas, para a seleção do(s) tipo(s) de abelha(s) para o cultivo do mel e demais produtos associados. Responsabilidade: Prefeitura e Empreendedores.
. -Agregar valores aos produtos comercializados. Produtos orgânicos têm um diferencial muito grande em preço. Responsabilidade: Empreendedores.
Outras ações indispensáveis e comuns aos empreendimentos sugeridos:
-Criar um Centro de Treinamento, em caráter emergencial, para a formação de mão-de-obra especializada. Responsabilidade: Prefeitura e Empreendedores.
-Planejar a produção e comercialização dos produtos. Responsabilidade: Empreendedores.
-Promover eventos para a divulgação e comercialização dos produtos. Responsabilidade: Prefeitura e Empreendedores.
Consequências:
-Criação de um polo autossustentável de produção e comercialização de produtos na região.
-Aceleração do processo de polinização, garantindo maior produtividade no cultivo de frutas.
-Aceleração na produção e comercialização de mel na região.
-Geração de emprego e renda.
-Incentivo ao turismo.
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Belém (PA), 30 de setembro de 2009. João Imbelloni
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