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João Imbelloni 15/09/2009 |
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NATALÍCIO REFLEXIVO (II)
Nesta bela manhã de 15 de setembro a cidade grande fervilha de gente. Muitas pessoas apressadas, outras nem tanto, seguem os próprios destinos e parecem não se importar com o mundo em volta. Parecem! Eu, por exemplo, fujo da fera insensível do comodismo que desde ontem à noite esgueira-se na sombra da saudade e, neste momento, parte para bem longe do forte coração das lembranças que nesta data me obriga a seguir, lutando, no rumo do ocaso, quando completo sessenta e três anos de idade cronológica da atual vida, com os pensamentos voltados para tanta coisa e chegando, sem pressa, a uma profunda e sincera reflexão a respeito do verdadeiro e grande aniversariante de outubro vindouro: o Município de Óbidos. Recordo que, cansado de lamúrias, na minha primeira cronicazinha mensal aqui publicada (31/05/07), bem como em outros trabalhos posteriores (sempre baseado em ações levadas a efeito – com sucesso – em outros municípios brasileiros), lancei o meu grito de alerta na forma de uma simples sugestão. Infelizmente, foi apenas um brado no deserto do descaso de políticos e governantes...
“Se algo pode ser melhorado, quanto mais cedo melhor!”
Foi pensando, como agora, na querida Terra, que tomei a decisão de tentar escrever publicamente, muito embora – aqui ou acolá – desde a distante infância satisfaço a necessidade da manifestação escrita, utilizando, singelamente, a difícil arte das letras. Orgulho-me (confesso) dos filhos poemas que dariam um livro, todavia, julgo que o mesmo nascerá apenas depois da minha partida. Urgente se faz outras medidas de preparação para a Viagem. A partir de 2007 fiz deste Portal da Esperança a tentativa (difícil, eu sei) de interagir com os meus conterrâneos, principalmente no que diz respeito aos assuntos pertinentes aos graves problemas que Óbidos enfrenta há muitos e muitos anos, o que vem mergulhando o importantíssimo Município na desesperança e na inglória luta de sucessivos governos que poderiam ter sido mais compromissados com a coletividade obidense. Deixaram e continuam deixando a imagem de que não souberam ou não quiseram “administrar com a competência e eficácia” indispensáveis para a complicada missão de governar a Terra Pauxis. Usando-se o bom senso, por uma questão de justiça, deve-se dizer que tivemos bons prefeitos (o atual, reeleito, luta para ficar no meio deles), porém, nada que se evite dizer, pensando no ontem (o tempo do “já teve”) ou no hoje: Óbidos nunca teve uma gestão pública exemplar.
“Se é necessário corrigir alguma coisa, vamos pôr mãos à obra hoje mesmo. Se algo vai ter que ser feito, por que não agora?”
Na verdade as poucas ações dos governos não chegam, como deveriam, “à rua do morador de qualquer cidade brasileira”; e a população obidense, também, emite desesperados sinais tentando expressar “as suas necessidades e, sobretudo, as suas prioridades de qualificar a vida em comunidade”. É preciso que os administradores passem a melhor discutir as “pautas, planos, programas e projetos de políticas públicas que se destinam às diferentes condições de vida”. Com recursos à disposição, os municípios, sem projetos, deixam de captá-los... Como estará em Óbidos: o Tratamento e Distribuição de Água Potável? Canalização de Esgotos? Coleta de Lixo? Limpeza Pública? Aterro Sanitário? Redes de Eletricidade e a Qualidade da Energia? Conservação de Praças e Logradouros Públicos? A Conservação do Antigo e Histórico Casario? Como andará a Saúde, a Educação, a Segurança e a Conscientização e Educação Ambiental, etc? Uma administração honesta, competente e profícua procura captar recursos para aplicar em corretos investimenos baseados no planejamento de políticas públicas visando minimizar as péssimas condições de vida dos munícipes. Onde buscar, no específico caso de Óbidos, a bagagem científica e cultural para a elaboração de projetos corretos e viáveis? Como sanar a constante ausência de governar sem as bases científicas e tecnológicas? Respondi a estas perguntas na minha singela crônica de maio/2007 e outros escritos, quando sugeri um Encontro de ilustres obidenses e amigos do Município. Alguém se lembra dos detalhes? Duvido! Encerrando de vez o assunto, um último apelo público: peço ao grande obidense e “advogado” de grandes causas que vem fazendo a sua parte, o doutor Carlos Antonio (filho do homem de visão Carlos Silva e irmão da empreendedora Anete), para que se junte a nós nesta luta – como posso dizer? – do simples convencimento de quem precisa enxergar pelos olhos da coerência como o faz o nobe arquiteto. Necessário se faz o apoio do Vice-Prefeito Rudimar Cardoso e dos vereadores Chico Barbado (filho do inesquecível Chico Aquino) e do Preto (filho do saudoso amigo Nelson Sousa), os quais tomo a liberdade de aqui colocar como representantes dos demais políticos obidenses.
“Algo só é impossível até que alguém duvide e acabe por provar o contrário”. (Albert Einstein)
Com o apoio da Prefeitura Municipal de Óbidos, não vejo difícil o investimento que seria o aproveitamento nunca visto no Município, no que diz respeito ao custo/benefício de uma ação pública. O que se propõe, prezado doutor Carlos Antonio, é tão-somente uma Reunião de Trabalho (dois dias seriam suficientes) do Prefeito Jaime Silva com obidenses de reconhecidos conhecimentos multidisciplinares, para discutir Políticas Públicas e Meios Para o desenvolvimento de Óbidos, mediante, no bojo de muitos assuntos que por certo surgiriam, os seguintes destaques: a) Estratégias Para a Captação de Recursos; b) O que é, verdadeiramente, a Gestão Pública; c) A Importância do Cooperativismo/Associativismo como Fatores de desenvolvimento do Município; d) Meio Ambiente e Sustentabilidade. Sabemos que o Prefeito de Óbidos está administrando o Município com uma visão de futuro, mas, consciente deve ficar que sem o apoio de outras esferas governamentais, nunca conseguirá o seu intento. Há a necessidade de parcerias – iniciando-se com a Reunião de Trabalho proposta – para conseguir os objetivos pretendidos. Os jornais publicam as possibilidades de mais investimentos dos governos Federal e Estadual “no oeste do Pará”. E é triste constatar que tudo já vem direcionado para Santarém e, agora, para os municípios “abençoados pela exploração de minérios”, contudo, com o grave defeito de serem apenas “almoxarifados, uma vez que sem a necessária Verticalização, a grande geração de empregos será... no exterior. Assim sendo, fica a expectativa de que o Prefeito de Óbidos, antes de tudo um jovem sensível às causas obidenses, com toda certeza entenderá que para enfrentar grandes e antigos problemas (encabeçados pelo abandono), não pode fugir da ajuda daquilo que é muito maior do que minérios e investimentos direcionados: a imbatível inteligência dos filhos e amigos de Óbidos. Comentando há alguns meses a idéia do Evento com um brilhante articulista deste Espaço, morador de Óbidos, fui surpreendido com a inaceitável afirmação: “isso só funciona lá no Sul do País; aqui em Óbidos é diferente...” Tomara que ele esteja enganado. Não vejo diferenças entre a administração pública correta de qualquer município do País e Óbidos, respeitando-se, é claro, as peculiaridades de cada um.
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Belém (PA), 15 de setembro de 2009. João Imbelloni
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