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João Imbelloni 30/06/2007 |
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A CRÔNICA DE JUNHO “Quem é aí que chama o avião para ir assistir ao jogo do Brasil em Wembley? Algum de vocês, otários?” João Ubaldo Ribeiro
Exordialmente é preciso que o internauta que se conectar com este humilde espaço saiba que estou muito longe dos interesses pessoais ou político-partidários. Apenas interesses coletivos de nossa Terra, movem-me a tentar traduzir o apoio e questionamentos com relação ao grave e longo tempo de abandono que sofre Óbidos e a região.
Como não sou escritor nem profissional afim, também não
tenho a obrigação de escrever dentro de um padrão
ortográfico e filosófico impostos por qualquer cartilha ou
ensinamentos outros. Por outro lado, não me importo se
desagrado ou golpeio suscetibilidades de egoístas que julgam
não ter compromissos com a lei e a ordem, no País, até
agora, das impunidades ... “No Brasil, a alta bandidagem sabe que cadeia é para os outros. Que a prisão provisória dura só alguns dias ou poucas horas. Alguns se constrangem pela troca de pulseiras por algemas ... “
Augusto Nunes O findante mês foi muito rico em assuntos que poderiam ser abordados com maior profundidade nesta singela crônica mensal: A Reunião do G-8 (restrito clube de poluidores), que no último dia do evento de interesse do Planeta, após as tomadas de decisões, levou como participante até o nosso Presidente, o qual ficou “convencido” de que os problemas do aquecimento global foram assuntos muito discutidos pelos mais poderosos do Mundo, mas, como das outras vezes, depois dos falatórios, não existirá nenhuma ação concreta, a curto ou médio prazo. Políticos, na defesa de inconfessáveis interesses, prometeram muitas providências para daqui a vinte, trinta, quarenta anos ... Que se danem as futuras gerações. As queixas do Presidente tentando cercear o necessário trabalho da Polícia Federal contra a assoladora corrupção – “como nunca se viu neste País ...” – efeito que teima em continuar atingindo aos amigos chegados e até parentes do “companheiro”. Acha o deus do populismo – irritado e eloquente - que a imprensa não deveria “falar mal do Governo” e o povo jamais discordar dos tristes rumos da Nação, pois “prejudica o turismo”. “Vocês já viram os filhos da Suiça e da Itália falarem mal dos seus paises”? Ah, bom! ...
“ ... o PT, o PC do B, o PSTU e o Psol, solidários com o caudilho, vieram à liça, não para desagravar o Congresso, mas para apoiar a violência de Chávez, que se descobriu marxista, talvez, por ter ao seu lado alguém como o assessor especial de Lula, uma espécie de embaixador-chefe do Itamaraty do B, que aparenta ser colaborador mas não lacaio”. Jarbas Passarinho
O mês do meio ambiente que nada teve para comemorar. Falaram muito nos impasses globais e o grande destaque, a nível local, ficou por conta da devastação lesa-Pará denunciada pelo “O Liberal”. O tamanho do rombo ambiental já chegou a cinquenta bilhões de dólares referentes a trezentos mil quilômetros quadrados de nossas florestas, transformadas, impiedosamente, em pasto para o gado, cinzas das queimadas em “assentamentos da reforma agrária”, farra de “empresários” que patrocinam a degradação pela extração ilegal de minérios e madeira e no vazio provocado pelo corte de quarenta e cinco milhões de árvores para exportação. Uma área degradada igual a dos Estados de São Paulo, Alagoas e Sergipe juntos. Ainda querem alguns que eu acredite nas boas intenções de nocivos madeireiros, fazendeiros, garimpeiros, plantadores de soja e cana e em determinadas ONGs estrangeiras e nacionais que atuam na região como linhas de frente de grupos criminosos ou “empresários” inescrupulosos. Na Inglaterra, no passado dia 5, a ONG Cool Eart lançou uma campanha (picaretagem?) para recolher doações na Europa, prometendo comprar terras e “proteger” a Amazônia. Mais de vinte mil pessoas já aderiram à mesma. Em Óbidos e “ilhargas”, o descaso à Mãe-natureza ocasionará, brevemente, a inviabilização do junino e tradicional Festival do Jaraqui, pela simples falta do apreciado peixe-símbolo, atingido, juntamente com outras espécies, pela pesca predatória e outras nefandas ações, destacando-se a “obra” da ALCOA em Juruti. O embalo das festas juninas, quando se destacaram as abordagens feitas por diversos conterrâneos sobre o trabalho do inesquecível Antonico Pé de Arpão, indiscutivelmente o precursor do boi (bumbá?) na Região. Lembro-me que, iniciando a minha carreira bancária em Parintins(AM), tomei parte – como atleta e membro da Juventude Alegre Católica ( JAC ) – nas promoções do Clube, entre as quais se destacava a realização do embate Garantido X Caprichoso, numa precária quadra de esportes, num estranho (assim pensava) campeonato com apenas dois participantes. Esses bois - hoje famosos graças a muito trabalho custeado por milionários patrocínios e quase transformados em axé e escolas de samba – ficavam, naquela época, muito distantes do brilho e competência do boi obidense. Ainda está na minha mente a voz que cantava nas noites de minha infância e juventude: “Lá naquela serra /Passa boi passa boiada /Também passa Pai do Campo ...” Os pouquíssimos encontros realizados ao longo do mês, sendo o mais importante o que tratou de cultura. No todo, todavia, ficaram devendo ao menos um esboço de ação buscando a necessária mudança de rumo do nosso Município.
A sugestão apresentada ao Prefeito Jaime Silva para a
realização de um grande encontro com a participação de
capacitados obidenses e amigos do Município, “loucos” para
colaborar com a Administração local, até o momento foi
pregação no deserto. Contudo, utilizando o mesmo método de
um dos Santos de junho, o Antonio, vou pregar aos peixes,
enquanto ainda existem ... “Finalmente, o Brasil pode ganhar o seu tão sonhado Prêmio Nobel. O da corrupção. Há exceção, porém; existem parlamentares que não admitem que se coloque sua”honestidade” em xeque. Só cash!
Bernardino Santos O Presidente do Senado e o apagão aéreo ... Chega! Senão acabo vomitando. Poderia tentar, enfim, a abordagem de tantos assuntos de relevo, porém, destacarei somente um, polêmico e de interesse de todos nós obidenses da Calha Norte: A divisão territorial. Todos estamos cansados de saber que jamais existiu, não existe e nunca existirá, por parte dos governos Federal e Estadual, investimentos de peso no Município e região, no que diz respeito à saúde, educação, segurança, obras de infra-estrutura, energia limpa e firme, criação de empregos, geração de renda, proteção ao meio ambiente, etc. Alguém ainda acredita que abandonados pelo poder público há muitas décadas, os governos petistas preocupar-se-iam conosco, agora? Não tenho tal ilusão. Excetuando-se aqueles que democraticamente, embasados em argumentos, fatos e críticas construtivas não aceitam aderir à idéia, ressalto que os outros, radicalmente contrários a qualquer tipo de divisão – mesmo que fosse divinamente perfeita – moram nos grandes centros com todo o conforto e qualidade de vida possíveis e nunca pensaram em residir no foco de tantos problemas. Óbidos, por exemplo, quando muito, serve para essas pessoas só nos excepcionais carnavais, festivais, exposições/feiras, festas (profanas) da Padroeira, etc. Todos eventos de grande importância, mas, devemos também lembrar da valorização dos legítimos habitantes do lugar ... Paralelamente à idéia da criação do Estado do Tapajós que beneficiaria muito mais a Santarém do que a região como um todo, nasceu uma espontânea manifestação, na forma de uma onda que está acontecendo nos municípios da Calha Norte, fruto de uma Comunidade criada na Internet, através da qual as pessoas, desencantadas com a falta de perspectivas de desenvolvimento para a região, estão se manifestando a favor da criação do Território Federal da Calha Norte, com novos políticos e novas idéias, como única opção de mudança. O pensamento é envolver todos os cidadãos, principalmente – por óbvios motivos – os não políticos. O mais interessante é que ninguém está fazendo qualquer campanha contra os atuais políticos; é consenso que isso é exclusivo assunto dos eleitores, no momento oportuno. À proporção que as mulheres e os homens vão tomando conhecimento da proposta, quase sempre manifestam imediato apoio; outros pedem mais informações e uma minoria é contrária à idéia, a qual é assunto de discussão nas escolas, nos bares, nos locais de trabalho, nas reuniões de pessoas (a qualquer título), etc. Como é impossível falar neste espaço dos motivos que desembocaram na legítima postulação, tentarei resumi-los para conhecimento de possíveis interessados: · A extensão territorial e a incompetência administrativa dos nossos governantes e representantes políticos são os principais obstáculos ao nosso desenvolvimento. Enquanto o primeiro impede uma aproximação para as imprescindíveis cobranças, o segundo é mais cruel porque só faz aumentar a pobreza e o imenso bloco dos excluídos. · As consequências são perversas, pois, mesmo sendo detentores de riquezas incalculáveis, ficamos assistindo, de braços cruzados, à rápida dilapidação das mesmas, sem que possamos fazer nada para que o povo possa delas usufruir. As decisões, à nossa revelia, são tomadas na bem distante Capital. · A medida não visaria apenas a simples divisão. Nela estariam embutidas uma série de ações para acontecerem concomitantemente ao processo da criação do Território, tendo em vista, principalmente, o desenvolvimento sócio-econômico com preservação do meio ambiente. As nossas florestas, por exemplo, em que pese tudo o que já foi destruído até agora, ainda poderiam ser preservadas sem prejuízo para quem mora nelas, uma vez que existem condições de captação de recursos junto a diversas fontes que buscam, pelo menos, minimizar o aquecimento global. · O mais importante da Proposta, é o esforço de envolver na discussão e no processo, somente as pessoas de bem que, felizmente, ainda são maioria em toda a região, descompromissadas com os manjados interesses – repete-se – político-partidários. Pessoas probas ocupariam os futuros cargos no executivo e legislativo, buscando-se a moralização do serviço público na futura Unidade da Federação. · Mudanças são praticamente impossíveis no Brasil; quem sabe as consigamos na nossa região, mormente num território pequeno, do ponto de vista populacional.
Não desejando mais pregar no deserto, convido a todos, não só de Óbidos mas de todos os municípios da Calha Norte que por ventura naveguem por “estes lados”, independente de idade, cor, religião, raça ou classe social, para discutirem a idéia entre si, lembrando a todos que esta poderá ser a única oportunidade para construirem os seus futuros e plantarem uma base de apoio para as vindouras gerações. É um sonho, dirão os negativos espíritos de plantão. Melhor ter um sonho possível do que não fazer nada, digo eu.
Belém, 30-06-2007 João Imbelloni |
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