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João Imbelloni 30/06/2008 |
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A CRÔNICA DE JUNHO
No embalo do forró, toada e outros ritmos, o Brasil dançou, literalmente, nas festas juninas realizadas com esmero e muita competência em todas as partes do País, culminando com o maior evento de todos levado a efeito em Parintins (AM), com a participação dos espetaculares bois Garantido e Caprichoso.
A floresta amazônica, também, dançou e continuará dançando de outra maneira, ao som das motosserras, das quedas das árvores e do crepitar da madeira sob a ação das chamas do fogo da incontrolável ganância. Garantido está o lucro fácil para satisfazer o caprichoso leque de saques contra a nossa região.
No Pará, a operação “Arco de Fogo” está se extinguindo e Tailândia voltou a ser o garantido paraíso dos criminosos de outros estados, comprovando-se que o aparente caprichoso fogo do arco era... de palha. Cadê a continuidade e constância das ações do Governo? Pobre Amazônia, pobre Pará, cuja governadora está ao lado dos “trabalhadores desempregados” e dos madeireiros, os quais, na quase totalidade, não passam de criminosos forasteiros que aqui chegaram para ganhar dinheiro fácil com o sacrifício de nossas florestas. É um crime que permanecerá apoiado por políticos e governantes inescrupulosos que não enxergam nada além do horizonte de seus sórdidos interesses.
Ainda no nosso Pará afirma a mídia confiável que “uma das formas que o setor florestal encontrou para turbinar a entrega de licenças ambientais pendentes – e novas – na Sema é o mandado de segurança”. Estaria a nossa Justiça, através da concessão de liminares, ajudando no desmatamento? Garantido ficará esse setor contra o caprichoso trabalho resultante das operações do IBAMA, PF e outros órgãos?
A quem apelar, agora? Ou devemos simplesmente rezar como ensinou em recente entrevista o Ministro do Meio Ambiente? Aliás, o próprio Carlos Minc avisou na mesma oportunidade: “Os próximos meses serão piores...Não adianta chorar a seiva derramada”...
Com um Ministro ainda vacilante, embora apreendendo bois clandestinos, devemos refletir – ó amazônidas! – sobre o que disse o jornal inglês The Independent: “Essa parte do Brasil é importante demais para ser deixada aos brasileiros”. O maior presidente do mundo, cofiando a barba, reagiu ofendido: “A Amazônia é nossa!” Será??? Garantido está que Tailândia, Altamira, Uruará, Paragominas, São Félix do Xingu, Novo Progresso, Itaituba, etc., continuam sendo as provas em contrário. Caprichoso é o grito de viva o “agronegócio” no molde brasileiro do “a qualquer custo”.
É com tristeza e desânimo que se constata que “o Pará já devastou mais ou menos 23% de seu território, equivalente a 22 milhões de hectares”. Como ficar calado? Como aceitar, pacificamente, o descaso de nossas autoridades? Na Amazônia “são retirados, por ano, cerca de 24 milhões de metros cúbicos de toras de madeira”. Reserva-se, assim, para as vindouras gerações, sem falarmos nas outras consequências, a herança maldita em forma de deserto... E o grande Cacique? Não é possível que possamos esquecer que Lula, na oposição, chamava, acertadamente, de esmolas para as poucas bolsas de assistencialismo e agora faz das mesmas, enormemente aumentadas, a base do seu Governo, deixando em segundo plano e no caos, a Saúde, a Segurança, o Transporte e a Educação (base de tudo).
Segundo João Ubaldo Ribeiro, o inigualável Presidente “compra com o nosso dinheiro, uma massa extraordinária de votos”. Por causa disso, quem sabe, a maioria do povo brasileiro aceita, de maneira passiva e até irresponsável, a degradação de agentes públicos, a corrupção e o título de País das impunidades.
Para piorar (ou melhorar para o PT e o Presidente), o jornalista Arthur Virgílio denunciou que “mal a LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) completa seu oitavo ano de existência e eis que o Palácio do Planalto tenta subvertê-la, enviando ao Congresso, no mês passado, projeto de lei complementar destinado a flexibilizá-la”. Que absurdo!
Interessante é que as mesmas pesquisas que apontam o maior presidente do mundo como o preferido da maioria, indicam os “segundos” colocados na preferência da sociedade: “As Forças Armadas (antes do tenebroso caso do Exército no Rio de Janeiro), a Igreja, a Imprensa (graças a Deus!), a seita do bispo Macedo, os Correios (Imaginem!), o Corpo de Bombeiros e, no fim da fila, com muito repúdio, os fregueses do Legislativo: Senado, Câmara dos Deputados, assembléias legislativas, câmara de vereadores e partidos políticos”. Aí reside, no entanto, o grande perigo para o nosso frágil Estado Democrático de Direito. Villas-Bôas Corrêa, diante da insensibilidade moral da maioria do Congresso, afirmou com autoridade para tanto: “Como está não pode continuar. Congresso sem o apoio do povo é como saco vazio que não se sustenta em pé”.
Por enquanto, garantido é para Lula, Ugo Chávez, Evo Morales e os demais “companheros” daqui e alhures, o caprichoso riso de privilegiados espectadores do banalizado crescimento da crise ética que atinge o Executivo, o Legislativo e o Judiciário do festivo Brasil...
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Obs.: Nada contra festas e os bois de Parintins, terra onde morei e nasceram três filhos meus. Foi apenas u’a maneira de diferenciar um simples “escrito-desabafo” e uma homenagem aos famosos bois, apesar de tudo.
Belém (PA), 30 de junho de 2008 João Imbelloni
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