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João Imbelloni 15/06/2007 |
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Retalhos (III): Dia dos Pais Daniel, dando a derradeira tragada no cigarro antes de atirá-lo longe, apenas moveu a cabeça em sinal de afirmação; ouvia atentamente as queixas do velho amigo: - Pois é verdade, meu companheiro. Esta foi uma semana interessante mas de funesta lembrança para este pobre mortal. Era uma bela manhã de domingo, dia 14 de agosto de 2005, data convencionada para festejar-se o “Dia dos Pais”. A praça Brasil estava praticamente sem ninguém; aproximava-se a hora dos comemorativos almoços nos lares belenenses. Juan continuou suas lamúrias: - Esperava, sinceramente, pelo menos um modesto festejo pela passagem deste dia. Não consigo esquecer que na terça-feira, Madame Izamanda trouxe até balões e enfeitou parcialmente a casa. Fez compras e acompanhou pessoalmente os trabalhos da diarista Maria Paraná, os quais se estenderam por dois dias. - Não lhe falaram nada? Indagou Daniel, agora interessado no “causo”. - Qual nada! Imagine você que tudo apenas sugeria uma bela festa com a presença dos filhos, netos ... Nessa altura dos acontecimentos, Daniel sentou-se num dos bancos da praça e convidou Juan para fazer o mesmo. Falou , a seguir, com sua voz de locutor de quermesse: - Não entendo porque você está tão nervoso. Ninguém lhe prometeu nada! - Uma ova! Quase gritou Juan. - Na quinta-feira, sem querer é claro, ouvi quando Madame Izamanda “telefonou” para algumas pessoas convidando-as para um evento nesta data. Não estou leso! - Na sexta-feira, Kliméria, que quase não pára em casa, permaneceu o dia todo encastelada. Era um tal de corre pra lá, corre pra cá e a menina não parou sossegada um só momento. Do meu quarto, tentando adivinhar o que estava acontecendo, ouvia somente os seus rápidos passos pelo corredor, num incessante vai-e-vem. Não me restaram dúvidas: Ela e Madame Izamanda “tramavam” alguma coisa. Fiquei ainda mais feliz quando vislumbrei um razoável volume que a Madame, sutilmente, acondicionou no cesto próximo à porta do banheiro. Deveria ser um presente e tanto, imaginei cá com os meus botões. - Continuo a não entender nada! Daniel esforçava-se ao máximo. - Por favor! Explique melhor. - Ontem, quando retornei a casa, quase ao anoitecer, não encontrei ninguém, a não ser o meu também “abandonado” neto Tiano, o qual, notando a minha angústia, explicou-me finalmente: - “Sabe vô, a Kliméria ficou boa da caganeira e, como segunda-feira é feriado, viajaram, ela a Madame e alguns amigos, na direção das praias do Mosqueiro, onde “curtirão” o prolongado fim de semana, como, aliás, combinaram na semana passada. O Senhor não sabia? Levaram as compras e até aqueles balões que estavam pendurados na cozinha. Acho que a festa lá vai ser especial ... daqui a pouco “ pegarei” o ônibus.
- Eis a minha triste estória, amigo Daniel. Fui traído por falsas evidências. - Mas você, pelo menos, recebeu um bonito presente, não foi? - Agora me lembro que ainda não procurei por ele, meu amigo . Quando chegar para o meu solitário almoço, finalmente, terei um pouco de felicidade. Na chegada, bastante ansioso, Juan bisbilhotou, afinal, o que estava tão bem guardado no bonito cesto de vime.
Deparou-se, então, com vários rolos de papel higiênico ...
OBS: FICÇÃO João Imbelloni |
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