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João Imbelloni 12/06/2007 |
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O Portal do Devaneio Sempre utilizo o “Portal” como um bálsamo para amenizar a imensa saudade que sinto da minha querida Terra. Hoje, no entanto, o remédio funcionou ao contrário e, diante de tanto sofrimento, fui arremessado, incontinenti, para um tempo que não volta mais. Bastante jovem, outra vez, recebi nos braços o meu primeiro (ouso agora dizer: e único) amor. De mãos dadas e trocando sedentos beijos, voltamos a caminhar pelas íngremes ruas da Cidade, olhos nos olhos e a promessa constante da eterna vida a dois. Despreocupados, não nos impressionavam mais os espantados olhares das fofoqueiras de plantão que, no máximo, iriam correndo participar aos nossos severos pais que estávamos namorando ... lá, bem no fim da rua . Comentamos o último jogo Santos X Mariano quando, ao lado de Caluff, Tibinga, Cubil, Isnard, Pacu e outros atletas, destaquei-me com louvor. O título de 1966 era nosso: Santos Campeão de Óbidos. Lembramo-nos também: No ano seguinte – contra a sua vontade de torcedora do Paraense – transferi-me para o Mariano, Clube do meu coração, onde, juntamente com o Merunga, Olívio, Valdelino, Crísio, Bicho, Edmar, Lola, Rubinho e tantos outros craques espetaculares, formamos o melhor Time que Óbidos e toda a Região viram jogar na década de sessenta. Inigualáveis até os dias de hoje. Falamos do espetacular baile realizado na ARPA no dia dos namorados, quando dançamos bastante ao som do inigualável conjunto “Os Relicários”. Nas nuvens, ouvia extasiado as promessas habituais de um eterno amor. Minha doce namorada, tão real, mostrava-se feliz com tantas reminiscências que vinham aos turbilhões. Falou-me, carinhosamente: - Faz até o impossível mas não esqueces nunca de realizar outras viagens ao passado. Esperar-te-ei sempre... Como o rápido encontro não poderia ser constituído só de “flores”, apareceram os “espinhos”. Falou-me ela das minhas incursões nas noites de sábado, após deixá-la em casa. Sabia a mesma que ao sair do céu de sua companhia, dirigia-me ao outro SEO (Sindicato dos Estivadores de Óbidos) para os embalos regados a muita bebida e ... Reclamou, também, das célebres farras em diversos lugares da periferia e do interior ou no “chique” Bar Andrade. Queixou-se que andava eu, juntamente com o Ferrinho, Carneiro, Euvaldo, Zé Virgínio e outros amigos, a acordar as moças obidenses com as habituais serenatas, etc. etc... Não sabia o amor da minha vida que a maior parte do que lhe falavam era pura invenção das comadres mal amadas. Quantas vezes, nos “serenos” das festas, ouvi o veredicto do Adílio Siqueira: - “O homem “liso” é um cadáver andando. Vamos embora!” De felicidade mesmo, a marcar minha vida de estudante pobre no gozo de férias escolares no querido Rincão, somente aquele amor em plena juventude . Após as admoestações, como outrora, um longo beijo selou a paz. Continuamos o virtual passeio pois tínhamos que aproveitar ao máximo o curto tempo que nos restava, razão pela qual, mais uma vez, convidei-a para visitarmos o nosso lugar secreto, nosso ninho e templo do amor. Como no passado, o pejo inicial cedeu lugar para uma avassaladora explosão de desejo contido, quando nossos acelerados corações sabiam que eram cúmplices de uma enorme manifestação física de um verdadeiro amor ... Abri lentamente os olhos. A fitar-me, friamente mas buscando consolar-me, a tela do computador e o “Portal de Óbidos”. De volta à realidade, chovendo lá fora, lembrando-me que hoje é o dia dos namorados, escrevi:
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