João Imbelloni                                                                             30/11/2007

A CRÔNICA DE NOVEMBRO

 

Chega a ser desalentador observar que milhões de brasileiros são apenas expectantes dos sórdidos acontecimentos que se passam no País em virtude das funestas ações de políticos desonestos. E se depender da educação que aí está há muito tempo, a ignorância continuará sendo o principal obstáculo a impedir que o nosso povo exerça plenamente o seu direito de cidadania. Por enquanto, os programas de bolsas e assemelhados são suficientes para quem, ao longo dos tempos, “come nas mãos” de salvadores da pátria e populistas que têm como objetivo maior deixar tudo como está.

 

“Renan será absolvido e a prorrogação da CPMF, aprovada.

Restará só o mau cheiro de sempre”.

Ricardo Noblat

 

As vozes que se levantam contra os desmandos são logo chamadas de golpistas e outros adjetivos nascidos da habitual esperteza dos enganadores, visando desqualificar as poucas falas junto à opinião pública.

 

Em pleno século XXI, com a débil resistência de poucos, estão fazendo do Brasil o país dos oportunistas que, mal intencionados, fazem do Estado uma verdadeira propriedade particular. Companheiros despreparados assumem postos eminentemente técnicos, somente porque são militantes e o aparelhamento dos órgãos públicos e empresas estatais faz parte do plano maior. Milhões de petistas, enfim, descansam em organizações federais ( o Governo estadual segue à risca o exemplo do chefe maior). Suspeitíssimas ONGs e o MST, bem como outras “organizações”, participam da gastança.

 

Por uma questão de justiça deve-se dizer que a orgia de gastança é privilégio dos três poderes. Onde estão a UNE  (também beneficiada com o dinheiro público) e os “caras pintadas”? A quem apelar diante de tanta promiscuidade de poderes?

 

“Lula tem razão de não levar o governo a sério.

O poder é uma farra”.

Villasbôascorrêa

 

O que poderia ser um alento é mais uma prova de tanta esperteza. O ladino Presidente, não quer mesmo o terceiro mandato. Agora. A “herança” – aí, sim! -  que ele deixará ao sucessor em 2010, notadamente a alta carga tributária, a volta da inflação juntamente com as sucateadas Saúde, Educação, Segurança e o descontrole total, principalmente das contas em decorrência da “bondade” dos supostos programas sociais à Lula, obrigará o sucessor a tomar medidas saneadoras porém antipáticas para a maioria da população habituada às bolsas, bolsas essas que serão colocadas, forçosamente, em segundo plano ou extintas. Um Governo sério não terá alternativas além dessas. Buscará o que foi propositadamente esquecida: A geração de emprego e renda.

 

E o “maior presidente do mundo” voltará triunfalmente aos palanques de olho em 2014 (ano da Copa no Brasil), com as mesmas promessas e a famosa lábia engana-incautos, destacando a revitalização ou reativação das bolsas e a dita Copa do Mundo – “mais uma obra de sua autoria” - será o carro-chefe da campanha política. Vocês duvidam? Tem mais: Ele torcerá para que o Brasil não ganhe o título em 2010, pois isso tiraria um pouco do brilho da Copa disputada em Casa, em ano eleitoral. Sabe-se, pensando nisso, que a corrupção nas eleições é o início da corrupção maior que patrocina todos os esquemas possíveis, como o mensalão, por exemplo.

 

Espera-se (valha-nos, Deus!) que os eleitores entendam um dia, quem sabe lá por volta de 2014, que o candidato corrupto, para ser eleito, prefere que o povo continue pobre e ignorante, inclusive politicamente, para que a cada eleição ele possa voltar e comprar (via ofertas de bens materiais ou promessas de todo tipo), muitas vezes, os votos dos mesmos eleitores, numa nojenta relação desonesta e perene. “Voto não tem preço, tem conseqüências”.

 

Fico a pensar no que devem sofrer, a nível nacional, a minoria de políticos sérios, os jornalistas e líderes que não se vendem nos balcões de negócios do PT e parceiros. Eu que sou grão de areia no deserto, por motivo de minhas humildes crônicas gentilmente publicadas neste espaço, sou atacado por pessoas que – cúmplices ou descompromissadas com a verdade – pensam que o meu e-mail é vaso sanitário. Covardes são. Nenhum deles aceita tomar parte num diálogo frente a frente, olhos nos olhos. Sem argumentos preferem continuar atacando, à traição, na calada da noite de suas consciências.

 

Cansado e desiludido de tanto gritar em vão nos desertos municipal, estadual e federal – em algum tempo eles sairão do caminho para que a justiça possa passar – reflito, às vezes, no que disse, certa vez, um estadista:

 

“Cada povo tem o governo que merece”!

 

- Será?  (É o que diria o caboclo Zeca Maia em momentos assim, quando se sente uma vontade danada de largar tudo e ao mesmo tempo de tudo recomeçar).

 

 

.x.x.x.

 

Belém (PA), 30 de novembro de 2007
                João Imbelloni
 

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