Crônicas do Haroldo Figueira                                                                                            12/05/2007

AMOR DE MÃE
José Pedro Haroldo de Andrade Figueira

Mãe, um vocábulo que parece diminuto, de apenas três letras, para nomear alguém de tamanha magnitude. Será que isso tem importância? Evidentemente que não, até porque o significado afetivo daquela que é, com toda a certeza, a mais amada das criaturas de Deus na face da Terra, transcende o poder de expressão das palavras.

Homenagear as mães, tanto faz que sejam biológicas ou adotivas, no dia que o calendário lhes reserva, vai além da mera adesão ao apelo de natureza comercial que, provavelmente, inspirou a instituição da data comemorativa. Na realidade, a motivação é bem mais profunda. Decorre do desejo coletivo de alardear, solenemente, o quanto elas são importantes para a existência de cada um de nós.

Alguém porventura consegue esquecer quem estava por trás dos gestos de meiguice, desvelo, paciência e proteção que recebemos na infância? E dos sábios aconselhamentos, do apoio ao aprendizado escolar, das preocupações constantes com o nosso bem-estar?  Certamente que não. 

Impossível não lembrar, entre outras demonstrações de devotamento, das noites mal dormidas passadas ao pé de nossas camas ou ao punho de nossas redes quando adoecíamos; as vezes em que renunciaram a prazeres e divertimentos pessoais para ficar conosco; o esforço para conciliar as atividades profissionais externas com os deveres de mãe, esposa e dona de casa; o zelo em lapidar-nos o caráter e tantas mais.

Tive a felicidade de conviver com três gerações de mães. A de minha genitora, a de minha esposa e a de minhas filhas e noras. Ao longo de mais de cinqüenta anos, testemunhei a evolução por que passaram em função da dinâmica social operada pelo tempo.

 Pude observar, assim, as diferenças no jeito de ser e de agir exibidas por cada grupo. Percebi, além do mais, que em um aspecto todas se assemelham. Refiro-me à característica comum, inerente ao dom da maternidade, imutável nas mulheres desde que o mundo é mundo: o amor intenso, fiel e incondicional aos filhos.

Um sentimento único, inconfundível, em que se entrelaçam ou se alternam manifestações de carinho, entusiasmo, esperança, perdão, preocupação, contentamento e outras relacionadas com o propósito de tornar os filhos felizes. Não importa que estes sejam íntegros ou desajustados, feios ou bonitos, sãos ou deficientes, agradecidos ou ingratos. O amor maternal não discrimina, nem faz escolhas.

Como acontece todos os anos, no segundo domingo de maio as atenções estarão voltadas para esses entes queridos. A maioria dos filhos e filhas reverenciará suas mães pessoalmente, pedir-lhes-á a bênção e as cercará de carinhos e presentes. Outros, impedidos pela distância, o farão com um telefonema, um e-mail, um cartão postal, ou simplesmente as visitarão em pensamento. E há ainda aqueles que, movidos pela saudade, erguerão preces ao Pai em sufrágio das almas das mães que já partiram deste mundo.

Pena que muitos permaneçam alheios às celebrações desse evento especial. Não porque deliberadamente o desejem, mas pela impossibilidade de se envolverem com outra coisa que não seja a sofrida e continuada batalha diária pela sobrevivência. Falo do expressivo número de mães e filhos que vivem na indigência, submetidos a todo tipo de necessidades e privações.

Com muito mais razão, eliminar a miséria e resgatar a dignidade dos que se encontram excluídos do convívio social apresentam-se como prioritárias bandeiras de luta para o conjunto da sociedade. Tarefa difícil, mas não impossível. Basta que cada um abrace a causa com determinação e faça a sua parte. Um dos efeitos gratificantes será, por certo, ver a festa de exaltação à rainha do lar crescer em abrangência e participação.

Jesus que, enquanto homem, também conheceu e experimentou a grandeza e a autenticidade do amor materno há de olhar com bondade para todas as mães, abençoando-as e protegendo-as, concedendo-lhes, enfim, aqui ou na eternidade, a justa recompensa que fazem ou fizeram por merecer.

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