Crônica  de  Hugo Antônio Ferrari                                                                               03/04/2005

 

O CALVÁRIO DO PAPA
Hugo Antônio Ferrari

    O atentado sofrido pelo Papa João Paulo II em plena Praça de São Pedro, em Roma, além de deixar a humanidade perplexa, deixou marcas profundas na saúde do Sumo Pontífice  que, culminou com o agravamento do seu estado  físico, atualmente bastante debilitado, impedindo de exercer na sua plenitude as funções de Chefe Supremo da Igreja Católica, apesar de estar lúcido e comandar pessoalmente as mais importantes decisões.  Muita gente deve se questionar dizendo: Como pode o representante de Cristo na terra, ser  vítima da maldade humana e sofrer tantas provações? O que está acontecendo com o Santo Padre, é exemplo para todos nós que, mesmo gozando saúde, reclamamos da vida. João Paulo II se parece muito com os mártires da igreja, que deram suas vidas para que o Reino de Deus pudesse  prevalecer entre nós. O que mais impressiona nesse homem santo, é a aceitação dos desígnios divinos. Não reclama, e está sempre agradecendo. Não se descuida da paz!  Apela permanentemente para que a violência seja substituída pelo amor, pela caridade, pela fraternidade. Vemos  em João Paulo II a imagem do próprio Jesus que, morrendo na cruz, perdoou as ofensas e os martírios que sofrera. João Paulo II faz a mesma  coisa. Reza e pede aos malfeitores deste mundo para que se convertam, exemplo dado quando foi  pessoalmente na prisão perdoar o criminoso que quase lhe tira a vida.  Se não fosse assim, não poderia estar no trono de São Pedro.  Hoje, João Paulo II fala  mais com gestos, já que sua voz está embargada e quase imperceptível, em função de  ter sofrido uma traqueotomia.  

    Governar o povo de Deus, é missão difícil, diante de um mundo cada vez mais dominado pelas guerras, pela ambição,  pela miséria, pela intransigência, pelo fanatismo religioso, pela intolerância.  Em nenhum momento o Papa se escusou de condenar tudo aquilo que  se opõe a uma vida digna a que todos tem  direito. Homem respeitado e querido, conquistou corações no mundo inteiro  nas suas peregrinações - notadamente no Brasil onde foi carinhosamente aclamado como o “João de Deus”.

   Agora, quanto ao seu pontificado, somente Deus sabe o dia em que terminará. Não adianta as especulações! O Espírito Santo se encarregará de providenciar tudo a contento e no tempo certo. O que nos alegra, entretanto, é saber o quanto João Paulo II tem sido útil a humanidade, diante do  seu contagiante exemplo de humildade e aceitação da vontade de Deus. Procuremos imitá-lo! 

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