O CALVÁRIO DO PAPA
Hugo Antônio Ferrari
O atentado sofrido
pelo Papa João Paulo II em plena Praça de São Pedro, em Roma, além
de deixar a humanidade perplexa, deixou marcas profundas na saúde do
Sumo Pontífice que, culminou com o agravamento do seu estado
físico, atualmente bastante debilitado, impedindo de exercer na sua
plenitude as funções de Chefe Supremo da Igreja Católica, apesar de
estar lúcido e comandar pessoalmente as mais importantes decisões.
Muita gente deve se questionar dizendo: Como pode o representante de
Cristo na terra, ser vítima da maldade humana e sofrer tantas
provações? O que está acontecendo com o Santo Padre, é exemplo para
todos nós que, mesmo gozando saúde, reclamamos da vida. João Paulo
II se parece muito com os mártires da igreja, que deram suas vidas
para que o Reino de Deus pudesse prevalecer entre nós. O que mais
impressiona nesse homem santo, é a aceitação dos desígnios divinos.
Não reclama, e está sempre agradecendo. Não se descuida da paz!
Apela permanentemente para que a violência seja substituída pelo
amor, pela caridade, pela fraternidade. Vemos em João Paulo II a
imagem do próprio Jesus que, morrendo na cruz, perdoou as ofensas e
os martírios que sofrera. João Paulo II faz a mesma coisa. Reza e
pede aos malfeitores deste mundo para que se convertam, exemplo dado
quando foi pessoalmente na prisão perdoar o criminoso que quase lhe
tira a vida. Se não fosse assim, não poderia estar no trono de São
Pedro. Hoje, João Paulo II fala mais com gestos, já que sua voz
está embargada e quase imperceptível, em função de ter sofrido uma
traqueotomia.
Governar o povo de
Deus, é missão difícil, diante de um mundo cada vez mais dominado
pelas guerras, pela ambição, pela miséria, pela intransigência,
pelo fanatismo religioso, pela intolerância. Em nenhum momento o
Papa se escusou de condenar tudo aquilo que se opõe a uma vida
digna a que todos tem direito. Homem respeitado e querido,
conquistou corações no mundo inteiro nas suas peregrinações -
notadamente no Brasil onde foi carinhosamente aclamado como o “João
de Deus”.
Agora, quanto ao seu
pontificado, somente Deus sabe o dia em que terminará. Não adianta
as especulações! O Espírito Santo se encarregará de providenciar
tudo a contento e no tempo certo. O que nos alegra, entretanto, é
saber o quanto João Paulo II tem sido útil a humanidade, diante do
seu contagiante exemplo de humildade e aceitação da vontade de Deus.
Procuremos imitá-lo!