Crônica  de  Hugo Antônio Ferrari                                                                                                                                 28/08/2009

VIVENDO DE ILUSÕES

Hugo Antônio Ferrari

 

O Brasil tem vivido ultimamente de muita ilusão, senão vejamos: No governo Fernando Henrique Cardoso, por iniciativa do ex-Ministro da Saúde Abid Jatene, foi criada a CPMF - o chamado imposto do cheque - para ajudar a tirar da penúria a saúde dos brasileiros.  

 

Não se conseguiu reverter à situação, mesmo com toda essa montanha de recursos que saiu do bolso do povo.

 

Esse dinheiro, infelizmente, não cumpriu por inteiro o seu papel para o qual fora prometido.

 

Já no governo Lula, o referido imposto não foi mais prorrogado, sendo rejeitado pelo Congresso Nacional.

 

Entretanto, existe a possibilidade do retorno desse mesmo tributo com outro nome, cujo destino, seria novamente direcionado em favor da saúde.

 

E as nossas grandes riquezas para onde estão indo? Por que um País tão rico, não consegue melhorar a qualidade de vida da maioria da sua população?

 

São bilhões de reais arrecadados, enquanto as dificuldades, continuam a desafiar.

 

O nosso País, com todas as condições favoráveis que a própria natureza nos propiciou, seria um direito já assegurado estar desfrutando - há muito tempo -, de uma confortável situação econômica em benefício do nosso povo.

 

Entretanto, para que isso aconteça de fato, torna-se absolutamente necessário combater com rigor a corrupção, o desperdício, o superfaturamento de obras, etc.

 

Mas, por outro lado, o que se vê, é o aumento vertiginoso da violência, da fome, da miséria, do analfabetismo, entre outras mazelas.

 

Reconhecemos - por uma questão de justiça -, que os atuais Programas Sociais do atual governo que a oposição classifica de eleitoreiros, tem ajudado a minimizar um pouco a situação de milhares de famílias, porém, precisa avançar mais, a fim de que a nossa população possa desfrutar de uma nova condição de vida. É injusto ver as desigualdades massacrando tantos brasileiros.

 

Por essa e por outras, não está dando mais para acreditar na transferência das nossas potencialidades para o bem-estar da nossa gente.

 

O Brasil deveria ser uma das maiores nações do planeta diante do que possui. Se assim fosse, não existiria esse brutal desequilíbrio social.

 

Até a nossa economia, está dando sinais positivos de rápida recuperação, mesmo tendo que enfrentar a atual crise que desequilibrou o  mercado internacional.

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Lamentavelmente, a nossa realidade tem sido completamente diferente. O que temos, está fazendo outros povos felizes, não o nosso.

 

Não se está investindo com mais intensidade nas prioridades básicas visando transformar o nosso presente, e, assim, nos assegurar um futuro menos sofrido e mais promissor a que de fato teríamos direito. Mas quando?

 

Esse é o Brasil que continua sendo muito injusto para com a maioria de seus filhos.

 

Poucos são os aquinhoados, enquanto uma enorme massa humana enfrenta as piores dificuldades tentando sobreviver com um pouco mais de dignidade.

 

Será que o nosso destino é viver sob ilusão? Agora, surge a vez do pré-sal - o chamado “ouro negro”.

 

No momento que esse petróleo começar a jorrar das profundezas do oceano, qual será mesmo a desculpa para não ocorrer a grande transformação social que esperamos?

 

Podemos, desta vez, começar a armazenar esperanças? Ou será mais uma decepção que nos aguarda?

 

Já o Oeste do Pará, por exemplo, continua sendo uma das regiões mais ignoradas, apesar de ser economicamente viável, diante das grandes reservas que possui.

 

Diante do desafio que enfrentamos, além de não existir vontade política para fazer as coisas acontecerem, não temos força parlamentar expressiva para influir nas decisões governamentais. Desse modo, a situação tende a piorar.

 

Aqui, as ações, acontecem a passos de “cágado”, em que os anos parecem não avançar rumo ao progresso, deixando tudo estagnado.   

 

Em Óbidos, o centenário Colégio Estadual “São José” - o maior da cidade -, e que já educou gerações, está com sua estrutura comprometida, segundo laudo da Defesa Civil.

 

Suas instalações elétricas e hidráulicas estão totalmente imprestáveis. Aonde a juventude estudantil obidense vai estudar?

 

Por outro lado, a carência de energia elétrica neste sofrido Oeste - apesar do Pará possuir a maior hidrelétrica do País -, vem emperrando o seu desenvolvimento, podendo levar, novamente para o Maranhão - a exemplo do ferro de Carajás que é exportado pelo Porto de Iataqui - a bauxita de Juruti, que deveria ser beneficiada aqui mesmo na nossa região, gerando emprego e renda para a nossa população.

 

São estes e outros questionamentos que precisam de urgente resposta das nossas autoridades.

 

Não dá mais para esperar sentado o progresso que, infelizmente, não vem acontecendo. Enquanto isso, o tempo urge.

 

Com mais essa possibilidade da bauxita de juruti vir a ser processada no Maranhão, temos a impressão de quem realmente continua influindo nos destinos do Pará, ainda é o Senador José Sarney.

 

Se não for, dá a impressão que é, pois gato escaldado, todo mundo sabe que tem medo de água fria, segundo o dito popular.

 

Enquanto o Maranhão cresce a custa do Pará, o Pará pára! Isso machuca e revolta os paraenses!

 

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ÓBIDOS (PA), 26 SET 2009

 

 

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