Crônica  de  Hugo Antônio Ferrari                                                                               17/08/2005


É MUITA DECEPÇÃO
Hugo Antônio Ferrari 
 

     Não votei em nenhum candidato a Presidência da República em 2002, mas confesso que comecei a admirar o governo do Presidente Lula, que parecia ir de encontro aos reais interesses do povo, notadamente por ser o PT, um partido político que sempre defendeu a ética e a decência na vida pública. A biografia do Presidente, construída por uma trajetória que nasceu dentro de uma família humilde de camponeses, convivendo com a própria miséria, o destino havia reservado a esse homem simples - que abraçara a causa do trabalhismo - depois de enfrentar os rigores da ditadura militar, a conquista do poder supremo da nação. Lula, particularmente nesse triste episódio da vida nacional, tem feito declarações públicas contundentes defendendo a sua honra, chegando até desafiar quem a macule. Muitos não acreditam mais, infelizmente!

     Confesso que hoje, já estou em dúvida quanto à postura assumida pelo Presidente, pois em meio a essa avalanche de denúncias, de desmandos, desmentidos, não sabemos mais quem realmente está falando a verdade.  Por outro lado, a corrupção, vem corroendo este país há muito tempo, e praticamente nada se fez de concreto para evitá-la, quanto mais punir os verdadeiros culpados. As nossas leis precisam ser reformuladas urgentemente, a fim de que o nosso processo plolitico-eleitoral ganhe credibilidade, e aqueles que não respeitarem o patrimônio público, sejam fortemente penalizados e banidos da prática política. Se nada for feito de concreto nesse sentido, o Brasil vai continuar sendo saqueado sem piedade, e o povo, cada vez mais humilhado e penalizado.

     O Congresso Nacional - onde reside a grande esperança da população - precisa assumir uma nova postura e abrigar políticos decentes, honrados. Ta difícil separar os “bodes” dos “carneiros!” Os bons passam por maus, e os maus passam por bons, tal a “torre de babel” que se instalou na política brasileira.

    A título de colaboração, sugiro que as autoridades educacionais adotem urgentemente nas escolas um novo “currículo escolar” obrigatório que defenda a ética, os bons costumes, o respeito e o zelo pela coisa pública, a fim de que essa nova geração que vem a caminho cresça com uma nova consciência, aprendendo votar em pessoas dignas, comprometidas, fiscalizando a aplicação do dinheiro, com forma de pela educação, pela informação, se construir um novo Brasil. Quem fala de política nas salas de aula? Quem comenta o dia-a-dia do país nos colégios? Quem dá lições de cidadania aos estudantes? Ou todo mundo diz que não tem mais jeito? Já o professorado - mal remunerado - não gosta muito desse tema, e geralmente coloca todos os políticos no mesmo saco.  Sem esses esclarecimentos básicos, os alunos crescem desmotivados, achando que política é mesmo sinônimo de malandragem, e perdem o interesse pelo assunto, não valorizando o seu voto - arma mortal contra a corrupção - se realmente for bem direcionado. Caso contrário, mata o próprio eleitor de fome, de miséria, de doença, de raiva, de indignação, etc. E olha que já matou muita gente! Não é verdade? O Brasil tem solução sim, desde que o povo se disponha a mudar, daqui pra frente, para que esse  triste e melancólico momento em que estamos vivendo não aconteça nunca  mais. Afinal, o Brasil é nosso e não da corrupção.  Deus está conosco. Confiemos!

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