É MUITA DECEPÇÃO
Hugo Antônio Ferrari
Não votei em nenhum candidato a Presidência da República em 2002, mas
confesso que comecei a admirar o governo do Presidente Lula, que parecia
ir de encontro aos reais interesses do povo, notadamente por ser o PT,
um partido político que sempre defendeu a ética e a decência na vida
pública. A biografia do Presidente, construída por uma trajetória que
nasceu dentro de uma família humilde de camponeses, convivendo com a
própria miséria, o destino havia reservado a esse homem simples - que
abraçara a causa do trabalhismo - depois de enfrentar os rigores da
ditadura militar, a conquista do poder supremo da nação. Lula,
particularmente nesse triste episódio da vida nacional, tem feito
declarações públicas contundentes defendendo a sua honra, chegando até
desafiar quem a macule. Muitos não acreditam mais, infelizmente!
Confesso que
hoje, já estou em dúvida quanto à postura assumida pelo Presidente, pois
em meio a essa avalanche de denúncias, de desmandos, desmentidos, não
sabemos mais quem realmente está falando a verdade. Por outro lado, a
corrupção, vem corroendo este país há muito tempo, e praticamente nada
se fez de concreto para evitá-la, quanto mais punir os verdadeiros
culpados. As nossas leis precisam ser reformuladas urgentemente, a fim
de que o nosso processo plolitico-eleitoral ganhe credibilidade, e
aqueles que não respeitarem o patrimônio público, sejam fortemente
penalizados e banidos da prática política. Se nada for feito de concreto
nesse sentido, o Brasil vai continuar sendo saqueado sem piedade, e o
povo, cada vez mais humilhado e penalizado.
O Congresso
Nacional - onde reside a grande esperança da população - precisa assumir
uma nova postura e abrigar políticos decentes, honrados. Ta difícil
separar os “bodes” dos “carneiros!” Os bons passam por maus, e os maus
passam por bons, tal a “torre de babel” que se instalou na política
brasileira.
A título de
colaboração, sugiro que as autoridades educacionais adotem urgentemente
nas escolas um novo “currículo escolar” obrigatório que defenda a ética,
os bons costumes, o respeito e o zelo pela coisa pública, a fim de que
essa nova geração que vem a caminho cresça com uma nova consciência,
aprendendo votar em pessoas dignas, comprometidas, fiscalizando a
aplicação do dinheiro, com forma de pela educação, pela informação, se
construir um novo Brasil. Quem fala de política nas salas de aula? Quem
comenta o dia-a-dia do país nos colégios? Quem dá lições de cidadania
aos estudantes? Ou todo mundo diz que não tem mais jeito? Já o
professorado - mal remunerado - não gosta muito desse tema, e geralmente
coloca todos os políticos no mesmo saco. Sem esses esclarecimentos
básicos, os alunos crescem desmotivados, achando que política é mesmo
sinônimo de malandragem, e perdem o interesse pelo assunto, não
valorizando o seu voto - arma mortal contra a corrupção - se realmente
for bem direcionado. Caso contrário, mata o próprio eleitor de fome, de
miséria, de doença, de raiva, de indignação, etc. E olha que já matou
muita gente! Não é verdade? O Brasil tem solução sim, desde que o povo
se disponha a mudar, daqui pra frente, para que esse triste e
melancólico momento em que estamos vivendo não aconteça nunca mais.
Afinal, o Brasil é nosso e não da corrupção. Deus está conosco.
Confiemos!
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