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Crônica de Hugo Antônio Ferrari 21/07/2009 |
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NOSSO PESCADO AMEAÇADO Hugo Antônio Ferrari
Como se já não bastasse a devastação da Amazônia, onde a própria floresta e as espécies de animais silvestres estão sendo dizimadas, agora, a ameaça paira sobre o nosso pescado.
São 238 espécies de peixes e de invertebrados aquáticos que estão sujeitos a desaparecer dentro de um dos paises que possui a maior biodiversidade do Planeta, além de 632 espécies de animais também em vias de extinção.
Os dados assustadores são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatístico (IBGE), através do estudo: “Fauna Ameaçada de Extinção”.
Será que a ordem é mesmo destruir definitivamente a nossa natureza? Pelo jeito, não há mais nenhuma dúvida quanto a isso.
Onde está o Ministério do Meio Ambiente, o IBAMA, para evitar mais essa catástrofe?
Quando, então, iremos reverter essa situação, cujos efeitos nocivos já estão sendo sentidos na nossa economia, e, sobretudo, no que diz respeito a uma melhor alimentação da nossa população?
O que os nossos filhos e netos irão comer amanhã?
Estamos prestes a virar uma África castigada pela fome, pela miséria, onde milhares morrem por doenças provocadas pela inanição.
A nossa invejável Costa Marítima é de dimensão continental, pela quantidade de peixe que produz. Poderíamos alimentar a nossa população com tranqüilidade a preços reduzidos, exportando o excedente.
O Japão, muitas vezes menor, produz grande quantidade de pescado, onde esse alimento é considerado vital para a saúde em razão das propriedades que possui. Entretanto, pelo seu elevado preço, está cada vez mais ausente da mesa do brasileiro.
Antes, aqui na nossa região, a carne bovina era um produto consumido pela classe mais favorecida economicamente.
Atualmente, a situação se inverteu completamente. A carne tornou-se mais popular, enquanto o pescado encareceu bastante.
Não há incentivo suficiente para a expansão de projetos de criação de peixe. Seria uma forma de baratear o produto, garantindo alimento muito mais saudável.
Aqui em Óbidos, na época da “piracema” que está preste a começar, é quando a população consome bastante peixe a preços bem acessíveis. Devido a grande enchente deste ano, o fenômeno atrasou um pouco o seu processo.
O nosso País domina tecnologia na produção de pescado em cativeiro. O Nordeste é um exemplo, onde, toneladas de camarão, são exportadas para o exterior.
Enquanto isso, o nosso potencial hídrico que poderia embalar a industria pesqueira nacional, ainda adormece na sua primitividade.
Mesmo com toda riqueza que possuímos, milhões de brasileiros experimentam algum tipo de necessidade, infelizmente.
Se o Brasil não adotar medidas urgentes para a preservação do seu meio ambiente, estaremos colhendo, em pouco tempo, os resultados sinistros causados pela insensatez com que estamos tratando as nossas reservas naturais.
País nenhum no mundo foi contemplado com tantas “benesses” como o Brasil.
Nem por isso, sabemos valorizar o suficiente o que possuímos, agradecendo a Deus em primeiro lugar.
Ver famílias inteiras passarem fome no Brasil é inconcebível. Mas, por incrível que pareça, a fome ainda é um grande desafio a ser vencido. Que vergonha!
Quando, afinal, seremos um “País de Todos?” Esse desejo não pode continuar sendo apenas fictício. Ele tem que se tornar realidade já!
********************* ÓBIDOS (PA), 20 JUL 2009
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