Crônica  de  Hugo Antônio Ferrari                                                                      05/11/2008

UM NEGRO NA CASA BRANCA

Hugo Antônio Ferrari

 

Para um país racista, os americanos e o mundo acostumados a ver presidentes brancos, de olhos azuis, agora se deparam com o primeiro Presidente negro da história dos Estados Unidos, de estatura franzina, ainda jovem, chamado Barack Obama, e que vai governar a maior potencia bélica e econômica do planeta, prometendo mudanças surpreendentes para toda humanidade.

 

É preciso lembrar acima de tudo que negro é gente tal qual qualquer branco. Todos são filhos de Deus!

 

A cor do ser humano é o que menos importa. O que vale e faz a grande diferença, é o seu caráter, a sua dignidade.

 

Sem nenhuma tradição nos meios políticos dos Estados Unidos, o Senador Obama chega a Casa Branca onde escreverá um novo capítulo da trajetória americana, porém, tendo que enfrentar e administrar os graves problemas deixados por seu antecessor, a partir da reorganização da economia, bem como a invasão do Iraque, Afeganistão, além de intermediar o permanente conflito entre Israel e o mundo árabe, no Oriente Médio, etc.

 

Sem a menor dúvida, Obama virou um fenômeno político nos Estados Unidos, tal a sua estupenda projeção, lembrando a eleição do também jovem Presidente assassinado John Kennedy que encantou o mundo pelo seu forte carisma, além da preocupação do seu governo com o futuro dos povos menos favorecidos, lançando o Programa “alimentos para a paz”.

 

E é de muito alimento e paz que uma considerável parte da humanidade está necessitando urgentemente para continuar sobrevivendo neste mundo cruel em que vivemos.

 

País que já presenciou assassinatos de Presidentes e de um aspirante ao cargo, como foi o caso do Senador Robert F. Kennedy (irmão do Presidente John Kennedy), morto no momento em que festeja a sua indicação como candidato à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Democrata.

 

Até o próprio Obama - enquanto candidato -, sofreu ameaça de morte por dois jovens que foram detidos pela polícia.

 

Martin Luther King foi outra vítima da brutalidade por defender os direitos humanos em seu país. Pagou com a vida, porém, mudou o rumo dos Estados Unidos.

 

Se vivo estivesse, estaria vibrando com a vitória de Obama, fruto da sua incansável luta pelos direitos civis.

 

É uma prova de que o mal, a inveja, não respeita ninguém. Então, todo cuidado continua sendo muito pouco para se evitar novas tragédias.

 

Obama terá pela frente desafios nunca vistos, uma vez que o mundo gira em função da política americana.

 

Isso já está mais do que provado, e não vai ser diferente no próximo governo.

 

A atual crise na economia americana que contaminou praticamente o mundo todo, vem impondo sacrifícios para os países mais pobres e em desenvolvimento, como é caso do Brasil.

 

Então,  descartar a presença dos Estados Unidos no contexto das decisões mundiais a serem tomadas, é desconhecer totalmente o poderio dessa Nação.

 

É sabido que muitos não concordam com a supremacia americana até por motivos de divergências ideológicas.

 

Entretanto, é muito difícil excluir os Estados Unidos da sua participação nos assuntos internacionais, posição essa que vai continuar contrariando seus opositores mais ferrenhos.

 

Não sabemos ainda as diretrizes a serem adotadas pelo Presidente Obama, sobretudo no que se refere a política externa, a qual estará sendo aguarda com muita expectativa.

 

Mas de uma coisa o mundo poderá estar certo: Quando os interesses dos Estados Unidos estiverem em jogo, não existirão adversários políticos. Todos estarão juntos defendendo a América.

 

Lá, aprende-se a exercitar o patriotismo ainda no ventre materno.

 

Aqui no Brasil, poucos sabem cantar o “Hino Nacional”, inclusive muitas autoridades do primeiro escalão. Agora, imaginem o resto da população, incluindo a nossa juventude.

 

E a nossa “Bandeira Nacional” faz parte da decoração das nossas casas ocupando lugar de destaque?

 

A grande verdade, é que não temos a devida intimidade em prestigiar os nossos símbolos.

 

Isso é falta de amor para com o nosso País. Não desenvolvemos como deveríamos esse sentimento pátrio.

 

Já em outros lugares, infelizmente, a torcida é pelo quanto pior melhor para se tirar os adversários que estão no poder.

 

Se aposta tudo no caos, mandando-se a Pátria amada às favas. O que passa a valer é o interesse pessoal, político, e não mais o coletivo.

 

Aqui no Brasil, quantos gostariam que a atual crise econômica desestabilizasse a nossa economia conquistada a duras penas para que a popularidade recorde do Presidente Lula despencasse junto, já se pensando na próxima eleição presidencial?

 

Onde está o patriotismo dessas pessoas que assim procedem? Não sabem que serão milhões de brasileiros  prejudicados?

 

Façamos também nossa a célebre frase do saudoso Presidente Kennedy: “Não pergunteis o que o Brasil poderá fazer por vós, e sim o que vós podeis fazer pelo Brasil!”

 

É esse ardor patriótico que está fazendo muita falta entre nós”, a fim de debelar a terrível corrupção que vem roubando sonhos e esperanças de muita gente há tanto tempo, além de aumentar a nossa alto-estima.

 

Assim sendo, auguramos que o novo Presidente Obama promova o entendimento entre as demais Nações, a fim de que a paz seja possível e os povos inaugurem uma nova fase de sobrevivência pacífica onde a vida seja respeitada e a miséria banida da face da Terra.

 

Isso é possível, desde que os mandatários queiram!

 

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ÓBIDOS (PA), 05 NOV 2008
 

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