A DIVISÃO DO PARÁ
Hugo Antônio
Ferrari
Se alguém me
perguntar se eu gostaria de ver o Pará ser divido, por certo diria
que não, pois aprendi a amar este Estado onde nasci, dotado de uma
natureza pródiga, exuberante, e que tem Nossa Senhora de Nazaré como
Padroeira e que orgulha a todos os paraenses. Mas por que a febre do
separatismo cresceu tanto, a ponto de provocar a discussão pela
divisão, incluindo a região Oeste do Pará que compreenderá o futuro
Estado do Tapajós? O abandono e a indiferença a que esta região vem
sendo relegada ao longo do tempo, tem sido fator preponderante para
despertar no povo esse desejo de sair do Pará e construir o seu
próprio Estado. Nós da região Oeste do Pará, ou Baixo Amazonas, onde
está incluído o Município de Óbidos, tem sido notório o desinteresse
dos Governos Estadual e Federal em promover o nosso melhor
desenvolvimento. Vivemos aqui sem saber a qual Estado da Federação
pertencemos realmente, uma vez que estamos completamente esquecidos
de tudo e de todos. Já tivemos Governador que cumpriu todo o seu
mandato e nunca pisou em Óbidos. Isso é um absurdo! A maioria dos
Secretários de Estado de outros Governos - incluindo os do atual -
não conhecem a nossa realidade, já que ficam apenas em Belém e
visitam as cidades mais próximas. Estamos a quase mil quilômetros
da Capital, sendo impossível administrar sem conhecer pessoalmente a
nossa gente, as nossas autoridades, os nossos costumes, as nossas
peculiaridades, as nossas tradições, os nossos problemas, as nossas
vocações, os nossos maiores desafios. Lembro-me, certa vez, que uma
das ações da Secretaria de Agricultura do Pará para Óbidos, foi
trazer uns “pintos caipiras” para serem vendidos através da EMATER
local. Que espetáculo de iniciativa! Quantos projetos poderiam ter
acontecido para fortalecer a nossa economia? O pouco que já
conseguimos, é esforço próprio dos nossos empresários, dos nossos
pecuaristas, dos nossos produtores rurais, dos nossos
agricultores, dos nossos valentes ribeirinhos que lutam junto às
adversidades da Amazônia.
O nosso Governador
Simão Jatene ainda não decidiu se virá a Óbidos, ou se vai ignorar
definitivamente que esta cidade existe. Será o prenúncio da criação
do futuro Estado do Tapajós que está desestimulando essa visita,
uma vez que o Pará poderá perder um considerável Colégio Eleitoral
capaz de influir no resultado das próximas eleições?
Lamentavelmente o seu Governo está acabando, e nada temos a
comemorar. Agora vem a pergunta: Dá para suportar essa situação?
Claro que não! Em cima desse abandono, dessa indiferença, o
movimento pela separação cresceu e entusiasmou os habitantes da
região. No momento em que você é ignorado, maltratado, desprezado, a
tendência lógica e natural é procurar um novo rumo, uma nova
situação. Tem sido todos esses fatores, a força que o movimento pela
criação do Estado do Tapajós tem encontrado para consolidar esse
objetivo. E esse futuro mais promissor tão aguardado, na concepção
dos habitantes desta região, é o desligamento do Pará. É como o
povo diz abertamente: Pior do que está, não ficará!