Crônica  de  Hugo Antônio Ferrari                                                                               21/03/2005


A DIVISÃO DO PARÁ
Hugo Antônio Ferrari

Se alguém me perguntar se eu gostaria de ver o Pará ser divido, por certo diria que não, pois aprendi a amar este Estado onde nasci, dotado de uma natureza pródiga, exuberante, e que tem Nossa Senhora de Nazaré como Padroeira e que orgulha a todos os paraenses. Mas por que a febre do separatismo cresceu tanto, a ponto de provocar a discussão pela divisão, incluindo a região Oeste do Pará que compreenderá o futuro Estado do Tapajós? O abandono e a indiferença a que esta região vem sendo relegada ao longo do tempo, tem sido  fator preponderante para despertar no povo esse desejo de sair do Pará e construir o seu próprio Estado. Nós da região Oeste do Pará, ou Baixo Amazonas, onde está incluído o Município de Óbidos, tem sido notório o desinteresse dos Governos Estadual e Federal em promover o nosso melhor desenvolvimento. Vivemos aqui sem saber a qual Estado da Federação pertencemos realmente, uma vez que estamos completamente esquecidos de tudo e de todos. Já tivemos Governador que cumpriu todo o seu mandato e nunca pisou em Óbidos. Isso é um absurdo! A maioria dos Secretários de Estado de outros Governos - incluindo os  do atual - não conhecem a nossa realidade, já que ficam apenas em Belém e visitam as  cidades mais próximas. Estamos a quase mil quilômetros da Capital, sendo impossível administrar sem conhecer pessoalmente a nossa gente, as nossas autoridades, os nossos costumes, as nossas peculiaridades, as nossas tradições, os nossos problemas, as nossas vocações, os nossos maiores desafios. Lembro-me, certa vez, que uma das ações da Secretaria de Agricultura do Pará para Óbidos, foi trazer uns “pintos caipiras” para serem vendidos através da EMATER local.  Que espetáculo de iniciativa! Quantos projetos poderiam ter acontecido para fortalecer a nossa economia? O pouco que já conseguimos, é esforço próprio dos nossos  empresários, dos nossos  pecuaristas,  dos nossos produtores rurais,  dos nossos agricultores, dos nossos valentes ribeirinhos que lutam junto às adversidades da Amazônia.   

O nosso Governador Simão Jatene ainda não decidiu se virá a Óbidos, ou se vai ignorar definitivamente que esta cidade existe. Será o prenúncio da criação do futuro Estado do Tapajós que está desestimulando  essa visita, uma vez que o Pará  poderá perder  um considerável Colégio Eleitoral capaz de influir  no resultado das próximas eleições?  Lamentavelmente o seu Governo está acabando, e nada temos a comemorar. Agora vem a pergunta: Dá para suportar essa situação? Claro que não! Em cima desse abandono, dessa indiferença, o movimento pela separação cresceu e entusiasmou os habitantes da região. No momento em que você é ignorado, maltratado, desprezado, a tendência lógica e natural é procurar um novo rumo, uma nova situação. Tem sido todos esses fatores, a força que o movimento pela criação do Estado do Tapajós tem encontrado para consolidar esse objetivo.  E esse futuro mais promissor tão aguardado, na concepção dos habitantes desta região, é o desligamento do Pará.   É como o povo diz abertamente: Pior do que está, não ficará!

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