| Crônica de Hugo Antônio Ferrari 23/04/2008 | |
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O MARTÍRIO DE ISABELLA Hugo Antônio Ferrari
Aconteceu - aquilo que a sociedade brasileira não gostaria de acreditar: o pai e a madastra da garota Isabella foram indiciados por homicídio culposo pela sua morte, apesar de negarem sistematicamente qualquer envolvimento com a tragédia.
Se realmente verdade, como pode um pai praticar ou permitir um crime dessa dimensão? Procuramos explicações para essa barbaridade e não a encontramos. A resposta não existe, por se tratar de um assassinato inexplicável, cruel e abominável.
Isabella sofreu martírios. Deve ter estranhado horrivelmente - antes de desfalecer - quando percebeu estar sendo atacada e morta por quem jamais deveria ter praticado tamanha monstruosidade. Não teve forças para reagir, para pedir socorro. Seu corpinho frágil, foi jogado do sexto andar do prédio do pai, de onde sequer se jogaria um animal, quanto mais um ser humano totalmente indefeso.
O País continua perplexo, indignado, procurando uma resposta que jamais encontrará para um fato tão triste e revoltante que gerou grande comoção nacional, a não ser por pura perversidade.
A inconformação é generalizada. A população brasileira ficou ligada nesse assassinato, tal qual a uma novela a espera do seu último e inédito capítulo que, infelizmente, revelou a frieza dos autores do brutal atentado.
Linchamento popular - o que não é permitido por contrariar princípios legais e cristãos -, seria o desejo da grande multidão dominada por profundo sentimento de revolta contra os culpados pela atrocidade executada sem piedade. Nunca a justiça pelas próprias mãos!
A mártir Isabella está no céu junto a tantos outros inocentes que também passaram por sofrida experiência. Com certeza deve ter perdoado os seus matadores. No Paraíso, não existe ódio e nem vingança. Apenas muito amor, perdão e paz.
A justiça dos homens, deverá punir os responsáveis por essa brutalidade. Já a justiça divina, somente a Deus compete decidir qual será o destino desse casal - se confirmada em definitivo a autoria do crime e conseqüente condenação -, por não terem sabido amar uma criança carinhosa, dócil, alegre, pura, despida de qualquer maldade, e que sonhava com um futuro promissor para a sua vida.
Que a morte da pequena Isabella possa desarmar tantos corações
dominados pela violência a desistirem do mal. Precisamos de muita
paz, a fim de que a vida não pereça mais de forma tão estúpida como
vem acontecendo no Brasil e no resto do mundo. Rezemos sempre nessa
intenção. ****************** ÓBIDOS (PA), 22 ABR 2007 |
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