Crônica  de  Hugo Antônio Ferrari                                                                      03/03/2008

MULHERES VIOLENTADAS

Hugo Antônio Ferrari

 

A guerra civil na República Democrática do Congo - na África - representa a pior tragédia desde a 2ª guerra mundial, onde mais de quatro milhões de pessoas já perderam a vida. Ao assistir a uma reportagem sobre o conflito, fiquei estarrecido ao saber que soldados estupram em seqüência mulheres indefesas até em frente a seus familiares. Que barbaridade! E o mundo que se diz civilizado o que faz para conter tamanha violência? Reputo o estupro - o pior dos crimes contra a dignidade da pessoa humana. São seqüelas que não desaparecerão nem mesmo com a morte das vítimas. Muitas chegam a conceber gravidez indesejada.

 

Estamos em pleno século XXI, e essas atrocidades não deveriam mais estar acontecendo. Parece que retrocedemos aos tempos antigos, onde a crueldade imperava em todos os sentidos.

 

Os organismos internacionais de defesa dos direitos humanos - dentre eles a própria ONU - Organização das Nações Unidas -, deveriam tomar posição e socorrer essa gente que não sabe mais o que é paz. Muita miséria, pobreza, doenças, fazem do Congo um inferno em plena Terra. Onde está a solidariedade entre as Nações? Será que deveremos assistir pacificamente seres humanos serem maltratados sem piedade, e não tendo para onde fugir ou mesmo pedir socorro? Será que pelo fato de ser uma população negra, não merece a compaixão de todos os povos?

 

É inaceitável o quanto de maldade muitos seres humanos carregam na alma. Torturar seu próximo, a ponto de arrancar-lhe a força a sua dignidade, não pode existir brutalidade maior.

 

O que não deve mais continuar acontecendo, é a humanidade fechar os olhos diante dessa chocante realidade. Aqueles que assistiram a esse fatídico documentário, devem ter sentido arrepios, medos, ao verem tamanha monstruosidade. Agora, imaginemos quem necessita enfrentar diariamente essa inconcebível agressão?

 

Apesar da mulher atualmente estar bem mais protegida - inclusive no Brasil - com leis mais rigorosas - para muitas, não há grande coisa a comemorar, especialmente no “dia internacional da mulher”. Elas continuam enfrentando desafios os mais diversos, sendo desrespeitadas e violentamente espancadas pelos maridos em pleno lar.

 

Denunciar os maus-tratos recebidos, ainda continua a ser um grande dilema para muitas delas. Preferem viver sofrendo, humilhadas, a espera de uma possível reconciliação, que dificilmente ocorre. Espancar uma mulher, além de covardia, representa uma atitude imperdoável para quem a pratica.

 

Diante de tudo isso que assistimos, ficamos penalizados com o que está acontecendo no Congo, bem como nos demais lugares do Planeta, ao vermos tantas mulheres sendo violentadas, sem contar aquelas que, friamente, tiveram seus “clitóris” extirpados ainda bem adolescentes, tornando-as infelizes para sempre.   

 

Por fim, a inquietante pergunta: quando o ser humano vai mesmo deixar de ser massacrado pelo próprio ser humano? Já não era tempo de haver mais respeito para com o nosso semelhante? Esse é um dos piores males do mundo em que vivemos: O permanente atentado à vida!

 

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ÓBIDOS (PA), 02 MAR 2008

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