Crônica  de  Hugo Antônio Ferrari                                                                               27/06/2005

 

PAREM DE PRENDER!

Hugo Antônio Ferrari

Toda vez que a Policia Federal desencadeia prisões de corruptos, sonegadores,  contrabandistas, etc, - com provas cabais - fazem com que a população brasileira passe a acreditar que o Brasil realmente está combatendo com firmeza os grandes desmandos, responsáveis por desvios  de  bilhões  de reais do erário público  e conseqüentemente  privando o país de melhor avançar rumo ao desenvolvimento. Logo depois dessas operações, vem a grande frustração: praticamente todos que foram presos são libertados - às vezes no mesmo dia - por força de mecanismos jurídicos que dificultam a ação da justiça, privilegiando criminosos. Ninguém deseja condenação sumária! A democracia nos assegura que o pior criminoso tem direito a defesa.  O que intriga a sociedade, é o espetáculo mostrado pela televisão, no exato momento em que essas prisões são efetuadas e em seguida todos ganham a liberdade e outras coisas a mais. Parem de prender ou prendam pra valer! Ou então, mudem a legislação para que essas prisões sejam o prenúncio de um novo tempo em que aqueles que se aproveitam ilicitamente do patrimônio público sejam de fato penalizados com absoluto rigor. Agora brincar de “prende-e-solta”  não da mais  para continuar assistindo. Toda vez que esses comandos acontecem, e quando existem “figurões” na lista para serem capturados - embora por alguns instantes - o povo já  não acredita,  e cada vez mais se decepciona. Como as coisas estão indo, a prática da corrupção continua  seduzindo muita gente, diante da morosidade para se julgar esses crimes que demoram anos a fio para serem apurados e os culpados condenados. Outro dia,  a justiça soltou uma pessoa simples, que ficou presa por mais de um ano,  por ter  roubado um  frasco de xampu e um condicionador num Shopping. Todo roubo, por menor e mais insignificante que seja,  é crime. Só que, a justiça para os pobres, é implacável! Já para os ricos,  políticos influentes envolvidos  nos piores escândalos, os caminhos para uma possível e remota condenação são longos e nunca se concretizam, tudo por conta do foro privilegiado, do habeas-corpus, das liminares,  da imunidade, do réu primário e outros tipos de manobras propositais, exatamente para dificultar e retardar as ações punitivas. Não tem polícia que coloque algemas nos pulsos de gente séria, honrada, digna. O que precisa acontecer, é a urgente transformação da justiça para acabar com os grandes  estragos  causados pela  desenfreada corrupção.

Mudem as leis,  e prendam de verdade. Caso contrário, parem de prender. Não suportamos mais o tamanho da impunidade! 

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