Crônica  de  Hugo Antônio Ferrari                                                                              13/06/2007

EM BUSCA DE UM LAR
HUGO ANTÔNIO FERRARI

Ter um lar é esse o grande desejo de milhares de crianças abandonadas nos orfanatos e nas ruas de nossas cidades!

Vítimas das piores dificuldades vividas por suas famílias, onde os filhos são desprezados, maltratados, virando depois meninos e meninas de rua e entregues à própria sorte, entrando direto na delinqüência, na prostituição. Muitos, vão parar nos orfanatos, a espera de um dia possuírem uma família e receber amor, afeto, carinho, pois, até então, só conhecem as agruras da vida.

E de quem é a culpa realmente por esse drama social vivido por nossas crianças? Do governo? Em parte sim, por não protegê-las contra o trabalho infantil, pela falta de mais acesso a educação, saúde, segurança e lazer. Mas, a responsabilidade maior é da nossa sociedade, que fecha os olhos para uma das mais duras e comoventes realidades brasileiras.

Enquanto famílias adotam um cachorro, dispensando ao animal todo conforto, com direito a assistência médica, internação em clínica especializada, hidroginástica, xampu, desodorante, ração de primeira qualidade, roupa de grife, desfile nas passarelas, etc, - e que muita gente nem sabe o que é isso -, vemos esse tipo de comércio movimentar uma verdadeira fortuna, e o abandono de crianças aumentando cada vez mais. Não sou e jamais serei contra a estima e assistência aos animais - em especial aqueles de estimação. E onde ficam as nossas crianças totalmente desprotegidas? Nas ruas, dormindo ao relento, catando alimentação contamina nos lixões, cometendo delitos, usando drogas, sem perspectivas de um futuro digno?

Queiramos ou não, somos todos responsáveis uns pelos outros. Se esse conceito fosse de fato levado a sério, as nossas crianças abandonadas por certo teriam um destino muito mais feliz. Entretanto, relutamos em adotar uma criança, ignorando o seu sofrimento. Não desejamos ter mais trabalho, afinal, já temos os nossos filhos legítimos para tratar e educar, e ainda cuidar daqueles que não são nossos?

Qualquer criança sonha com uma família - por mais humilde que seja -, a fim de receber a afeição de seus pais, brincar com os irmãos e amiguinhos. Isso é ser criança amada! Lamentavelmente, muitas não viveram essa feliz experiência!

Jesus disse: “vinde a mim às criancinhas!” Por que nós não fazemos o mesmo? Existem tantas por aí a espera desse convite? Se nós avaliássemos o quanto representa perante Deus adotar uma criança, todas estariam protegidas. Infelizmente, a nossa insensibilidade, a nossa indiferença, fecha completamente o nosso coração, impedindo que o amor possa ser exercitado plenamente.

Para aqueles que até então não se dispuseram a adotar uma criança, que o bom Deus os perdoe por tamanha omissão, porém, nunca é tarde para fazê-lo. Elas continuam pacientemente a esperar pela nossa decisão. Somente assim, poderemos aliviar tanto sofrimento, tanta rejeição. A recompensa de Deus pelo nosso gesto será incalculável!

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ÓBIDOS (PA), 13 JUN 2007


 
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