Crônica  de  Hugo Antônio Ferrari                                                                              09/02/2007

LEMBRANÇAS DO BAR ANDRADE
HUGO ANTÔNIO FERRARI

Óbidos perdeu, já há algum tempo, uma de suas maiores referências, que era o tradicional Bar Andrade. Durante muitos anos, foi lugar de destaque na cidade. Todo ornamentado expunha nas suas paredes inúmeras qualidades de bebidas - dentre elas o vinho -, de safras bem longínquas, como se fossem verdadeiros troféus, além do sorvete muito apreciado pela população.

Era encontro obrigatório dos amigos, notadamente nos fins de semana, para saborear uma boa cerveja, vinda diretamente de São Paulo pelos navios do Loydd Brasileiro, já que, naquela época, não existiam cervejarias na região, além de outros produtos finos. Estavam sempre lá, prestigiando o alegre e descontraído ambiente Mário Rego, contando suas piadas, Romam Pomar, outro bonachão, o odontólogo Armando Cunha com seus contos infindáveis, o polêmico Hermógenes da Costa, o médico Jofre Cohen, Ernesto Imbelloni, Atílio Gallate, Hélio Mousinho, Ary Ferreira, Délio Marinho, e tantos outros. Respeito era o ponto alto imposto pelo seu proprietário, pois o ambiente era puramente familiar.

Não tinha na região, um bar que se igualasse ao Bar Andrade, cuja fama corria longe. Era o local preferido dos visitantes, de reuniões políticas, pois sabiam que, no interior da Amazônia, existia um local aprazível que podia ser freqüentado com absoluta segurança, na certeza de que, mesmo com as dificuldades da época, o velho Bar Andrade procurava oferecer um tratamento diferenciado, daí o conceito conquistado.

Sou de uma geração muito mais nova daquela a que me referi acima, e que também, junto com amigos, freqüentei o Bar Andrade, onde se bebia regado a tira-gosto de “queijo cuia” - tradição da casa. Lá estavam sempre, em encontros amistosos, Eduardo Machado, Homero Jairo, Silvestre Calderaro, Teodósio Farias - o popular “Duzinho”, Hilbertino Diniz, Cristóvão Matos, Haroldo Xapuri, Mário Imbelloni, Nilton Melo, Carlos Andrade (este filho do dono do bar), Olívio Matos, Sebastião Chaves, o “Sabá”, e demais companheiros. Esses eram os mais assíduos freqüentadores! E assim as gerações se sucediam, até que, com a morte do seu proprietário - o Zezinho Andrade -, como era mais conhecido na intimidade, o estabelecimento começou a dar sinais de decadência, pois a sua esposa, dona Amanda, foi quem assumiu a gerência, até a completa desativação do memorável bar.

Podemos perceber que, à parte central da cidade onde estava situado o Bar Andrade, depois do seu fechamento definitivo, ainda se ressente da sua falta. Foi uma perda que não foi substituída até então.

Como nesta vida tudo passa, o Bar Andrade também passou, deixando muitas lembranças dos bons tempos vividos na nossa querida e pacata Óbidos. São fatos e detalhes inesquecíveis que marcaram época na vida de tanta gente.

Atualmente, a Pracinha do “O”, absorveu toda movimentação que existia no antigo Bar Andrade, sendo o ponto de encontro das noites obidenses.

É dessa forma que, com muita emoção, lembramos mais um período agradável da nossa trajetória repleta de muita saudade. O Bar Andrade, com certeza, fez parte dela!

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ÓBIDOS (PA), 01 FEV 2007 

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