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Carlos Antonio Silva 05/12/2008 |
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O CARRO DA GAROTADA DE ÓBIDOS A roda foi inventada há milhares de anos antes de Cristo. Este invento promoveu uma revolução nos transportes e nas indústrias, poupando o trabalho e cansaço ao ser humano. O homem sempre foi fascinado por veículos. Tanto por carros de bois, por charretes ou pelos possantes automóveis dos dias de hoje. Em Óbidos na década de sessenta, cada garoto ou até mesmo rapaz tinha seu carro, pelo qual tinha carinho e dedicação. Era um companheiro quase que inseparável. Nessa época, conhecíamos os carros da cidade, não por modelos ou marcas, e sim pelos proprietários: carro do fulano, carro do sicrano, carro dos padres e assim por diante. Nosso carro era uma roda, movimentada por um vergalhão dobrado na ponta em forma de “U”. Tínhamos rodas de todo tipo: de borracha, de barra de ferro, de madeira, de vergalhão, de bicicleta, enfim, todos possuíam uma roda de acordo com o achado, ou na base da troca e até mesmo comprada. Os pilotos demonstravam com orgulho suas habilidades, conduzindo seus carros pelas ruas. Qualquer mandado ou serviço que o curumim fosse fazer, ele pegava logo seu carrinho. Nas descidas das ladeiras, o posicionamento do “U” era habilmente invertido, passando a trabalhar pelo lado interno do aro, servindo de freio. Aconteciam também acidentes, quando o piloto perdia o controle e a roda corria sozinha, batendo na canela dos pedestres, assustando o chofer, vindo em disparada atrás do seu veículo, com pavor de levar um cascudo ou sofrer a apreensão do veículo. A partida dava-se pela criatividade do condutor. Uns soltavam lentamente a roda e seguiam empurrando; outros usavam o próprio cabo para acionar; os mais habilidosos inventavam outras maneiras para dar a partida no seu carango barulhento, que doía na raiz dos dentes das velhinhas rabugentas, sentadas nas cadeiras de vime nas calçadas. E assim, o trânsito de monociclo fluía, os pirralhos se divertiam e a cidade ficava congestionada de rodas de todo tipo, quebrando o silêncio da pacata Óbidos na década dos anos dourados. Tenho certeza que os Obidenses dessa época irão relembrar o modelo dos seus primeiros carros, e dos primeiros acidentes provocados, talvez por conduzirem sem habilitação.
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