Palavras de Miguel Canto                                                                                         10/11/2006

Homenagem Postuma
Miguel Canto - miguelccanto@hotmail.com

Contrariando os intelectos, não sou muito adepto das homenagens póstumas. Isto porque acho que para que se faça uma homenagem determinada a alguém, o bonito é contar com o conhecimento dessa pessoa para o julgamento das verdades ditas e a posterior aprovação ou reprovação do homenageado ao ato.

Infelizmente este critério que é só meu, não pode se adaptar ao pós-morte. Fico com isso, a mercê das regras da sociedade e obrigo-me a um ditame de minha consciência para voluntariamente homenagear de maneira simples como simples era meu homenageado. Porém de maneira verdadeira como verdadeiro era JOSÉ SABINO TEIXEIRA.

Meu caro amigo DETE.

Precisava te dizer que apesar de tua pequena estatura, e grande carência nas formações escolares, fostes para nos todos que convivemos contigo, um autêntico professor.

Ensinaste-nos que com simplicidade e principalmente com humildade, somos capazes de vencer barreiras, fazer amigos de verdade, crescer e produzir frutos de nossa convivência para orgulho nosso e de nossa família.

Quem de nos não lembra de teu constante sorriso apimentado pelas gargalhadas soltas, característica tua, no teu dia-dia, até mesmo quando perdias algumas vantagens nos costumeiros negócios de troca-troca com teus compadres Neguinho e João Toro? 

Quem de nós não lembra da tua simplicidade tanto na rotina de tua vida de comerciante, quanto no desempenho de tua autoridade política como legislador do Município?

Precisava te dizer meu caro amigo, que fui testemunha de tua luta e jamais esquecerei mesmo com a tua ausência das lições que me davas quando eu ainda criança disputava contigo nas madrugadas dos sábados, o transporte de alguns passageiros com algumas sacas com farinha das colônias de Óbidos, para a cidade.

Precisava te dizer meu amigo. Que sempre admirei a maneira como conseguistes formar uma família de prole numerosa e dar a eles além das aulas de esperteza nas barulhentas bancas de dominós, a educação e formação suficiente para que eles se orgulhassem do pai que tiveram, copiando até mesmo tua constante alegria.

Infelizmente meu caro amigo. Quando me aproximei de ti para te dizer isso tudo pessoalmente, vi que já tinhas certa dificuldade em me reconhecer e isso dificultaria teu raciocínio causando-te certamente, uma situação de desconforto. Motivo pelo qual, uso este último recurso para satisfazer minha intenção.

Dito isso meu querido professor, ainda preciso te dizer mais uma coisa. Quando te visitei pela última vez, já em teu leito de morte, dormindo o sono dos justos, notei um detalhe que quase ninguém viu. Estavas sorrindo meu amigo. Um sorriso quase imperceptível. Porém verdadeiro e sincero como você. Um sorriso que expressava tua resignação para com os desígnios de Deus. Em fim. O sorriso de quem tem consigo a certeza do dever cumprido. Leva contigo esse sorriso meu caro amigo. E com ele a consciência tranqüila. Pois a família que construístes para ti, certamente te dará conforto necessário para que descanses em paz, na tua ultima morada. E eu particularmente, como forma de gratidão, contratarei um exército de pirilampos para iluminar as noites solitárias, escuras e frias de tua tumba, como prova de reconhecimento de que tuas lições, deverão permanecer conosco. ETERNAMENTE.

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