ESPECIAL  - DIA INTERNACIONAL  DA LUTA CONTRA AIDS                 01/12/2004

Reportagem de Raquel Siqueira    

O tamanho da epidemia

A Organização Mundial de Saúde estima que existam hoje cerca de 30 milhões de pessoas vivendo com HIV/AIDS no mundo, mais de 1 milhão delas são crianças.
   Cerca de 12 milhões de pessoas já morreram desde o início da epidemia em 1981, só em 1997, cerca de 6 milhões de pessoas foram infectadas pelo HIV no mundo.
    A velocidade estimada de crescimento da epidemia é de 16 mil casos por dia, no Brasil, estima-se que cerca de 500 mil pessoas vivam com HIV/AIDS, Cerca de 130 mil pessoas já tiveram seu diagnóstico de Aids confirmado no Brasil.
    Hoje, a proporção de casos é de 2 homens para cada mulher contaminada, no início da epidemia essa relação era de 20 homens para uma mulher.

Tratamento

-  O advento do "coquetel" de remédios contra o HIV fez com que as complicações e mortes pela doença caíssem, pelo menos, 50% nos últimos anos.
-  O coquetel é uma combinação de mais de um tipo de medicação antiviral (o esquema clássico utiliza um inibidor de protease e dois inibidores de transcriptase reversa)

Protease e transcriptase reversa são duas enzimas (ferramentas) essenciais ao vírus para que ele mantenha seu processo de replicação.

Conheça os medicamentos existentes:
-  Inibidores nucleosídeos da transcriptase reversa:
   AZT, ddC, ddI, 3TC, d4T
-  Inibidores não nucleosídeos da transcriptase reversa:
   Nevirapina, Delavirdina
-  Inibidores da Protease:
Saquinavir, Indinavir,
    Ritonavir, Nelfinavir, Abacavir

A monoterapia (uso de uma só droga) para tratar o HIV caiu. Ela induzia resistência do vírus aos medicamen-tos muito precocemente

Carga Viral
-
É o exame que quantifica como está o nível (quantidade) de vírus no organismo
- Desde que o coquetel passou a ser usado em larga escala, a carga viral tornou-se um dos principais parâmetros para o médico avaliar se o tratamento está funcionando
- Outro parâmetro é a contagem das células de defesa (conhecidas como CD-4)

Vacinas
- Vários estudos com vacinas estão em fases iniciais de pesquisa
- Existem pelo menos duas novas vacinas sendo testadas em larga escala para checagem de eventual proteção contra o vírus HIV. No entanto, dentro da próxima década, é pouco provável que uma vacina altamente eficaz e segura esteja à disposição da população.
 


Nº de mulheres com Aids no Brasil
é o maior desde a década de 80

                                                                                                                                     Fonte: Uol - São Paulo

O número de mulheres infectadas pelo vírus HIV é o maior desde a década de 80, quando começou a epidemia de Aids no Brasil. Foram 12.599 notificações, em 2003, contra 10.566, em 1998, cerca de 16% as mais. A informação consta do Boletim Epidemiológico da Aids 200, divulgado nesta terça-feira (30/11), pelo Programa Nacional de DST/Aids, do Ministério da Saúde.

Apenas nos primeiros seis meses deste ano já foram registrados 5.538 casos de Aids em mulheres. O avanço da doença entre o sexo feminino é o tema escolhido pelo governo federal para marcar o Dia Mundial de Luta contra a Aids, nesta quarta-feira (1º).

Entre os homens, o boletim revela que a tendência é de estabilização da doença. No ano passado, foram notificados 19.648 casos, quase 7% menos do que em 1998, quando houve 21.056 registros. A estabilização ocorreu, principalmente, entre os homens homossexuais ou bissexuais.

Em 1998, esse grupo representava quase 30% do total de infectados do sexo masculino, passando para 25%, em 2004. Situação inversa ocorreu com os heterossexuais, que representavam cerca de 30% dos homens infectados, em 1998, e hoje são 42%.

Em conseqüência da contaminação feminina, houve 201 casos de crianças até 13 anos, no primeiro semestre deste ano. Trata-se da chamada transmissão vertical, da mãe para o filho. Em 2003, foram 519 casos de transmissão vertical.

O boletim revela ainda a redução de infectados entre os usuários de drogas, principalmente as mulheres. Há uma década, essa era a forma de infecção feminina em 17% dos casos. Hoje, é responsável por apenas 4,3% das notificações. Entre os homens, passou de 27% para 13%, em dez anos.

A taxa de mortalidade também apresentou estabilidade nos últimos anos. No público masculino, o índice de 2003 é o mesmo de 2001: 8,8 mortes em cada grupo de 100 mil homens. Entre as mulheres, houve um pequeno aumento, de 3,9 mortes por 100 mil mulheres, em 2001, para 4 mortes por 100 mil, em 2003.

O diretor do Programa Nacional de DST/Aids, Pedro Chequer, relacionaa queda da mortalidade mais acentuada em determinados municípios do país, como São Paulo, é resultado da maior eficiência do sistema de saúde. "Quando o sistema de saúde funciona e responde precocemente ao diagnóstico e ao tratamento, pode-se modificar o perfil da epidemia do ponto de vista da incidência e da mortalidade", afirmou.

Leia também:  Fatores biológicos e sociais tornam mulher mais vulnerável à Aids


Aids aumenta entre negros e pardos, diz Ministério da Saúde

Pela primeira vez, o boletim epidemiológico de Aids do Ministério da Saúde traz informações sobre a doença, segundo cor e raça, revelando que a epidemia vem crescendo entre a população negra e parda. O levantamento aponta ainda que há uma tendência de estabilização da doença entre os brancos.

De acordo com o boletim, a população branca continua sendo o maior grupo de infectados (51,35%). Negros e pardos somam 33,44% do total de casos, e os índios, apenas 0,17%.

"Essa tendência de aumento [entre negros e pardos] também está associada à transmissão heterossexual e à condição de escolaridade", acrescentou o diretor do Programa Nacional de DST/Aids, Pedro Chequer.

O boletim revela que, em 2003, 32.247 pessoas foram infectadas pelo HIV. Apenas nos primeiros seis meses de 2004, quase 14 mil novos casos foram notificados. Apesar de ainda se manterem em um patamar elevado, os dados indicam que a epidemia de Aids está em processo de estabilização.

Pedro Chequer disse que, apesar da redução de casos em alguns grupos, como usuários de drogas e homossexuais, ainda não se pode falar em controle da doença.

Homens e mulheres
Segundo o ministério da Saúde, os números da Aids entre homens demonstram a tendência de estabilização. Em 1998, foram notificados 21.056 casos, contra 19.648 em 2003. Até junho deste ano, o registro é de 8.306 casos. Essa estabilização pode ser vista principalmente na categoria de exposição homo/bissexuais.

A porcentagem de casos entre homens que fazem sexo com homens, que era de 30% em 1998, caiu para 25% em 2004. Já entre os homens da categoria heterossexual, o índice tem crescido. Nesse mesmo período, foi observado um aumento de 30% para 42%.

Entre as mulheres, por outro lado, o número de casos é o maior desde o início da epidemia. Enquanto em 1998 havia 10.566 registros, em 2003 esse número chegou a 12.599. Até junho de 2004, mais 5.538 casos já tinham sido notificados. A proporção entre homens e mulheres, que era de 16 casos em homens para cada mulher, no começo dos anos 80, atualmente é de dois para um. Esses números demonstram a importância da mobilização do Dia Mundial de Luta contra a Aids, comemorado em 1º de dezembro, que tem como tema este ano "Mulheres, meninas, HIV e Aids".

Entre os usuários de drogas injetáveis, o número de casos de Aids vem mantendo a tendência de queda observada nos últimos anos. A porcentagem de casos nessa categoria de exposição, que era de 27% em 1994 (no sexo masculino), desceu para 13% em 2004. Entre as mulheres da mesma categoria, o índice de uma década atrás era de 17%. Hoje, é de apenas 4,3%.

Já a taxa de mortalidade aponta para um quadro de estabilidade, nos últimos anos. No público masculino, o índice registrado em 2003 é o mesmo de 2001 - 8,8 mortes a cada grupo de 100 mil homens. Entre as mulheres, houve um discreto aumento: em 2001, foram 3,9 óbitos por 100 mil mulheres; em 2003, o total registrado foi de 4 mortes a cada 100 mil mulheres.

Situação regional
Considerando a taxa de incidência da Aids (número de casos da doença por grupo de 100 mil habitantes), o crescimento da epidemia é observado em todas as regiões do país, exceto no Sudeste, onde há estabilização com tendência de queda. Entre 1998 e 2003, a taxa de incidência nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo caiu de 29,4 para 24,3. No mesmo período, o Nordeste apresentou um discreto aumento na incidência, que passou de 6,7 para 6,8.

Nas demais regiões, a taxa de incidência da Aids só aumentou, no comparativo entre 1998 e 2003. No Sul, saltou de 24,9 para 26,6 (crescimento de 6,8%). No mesmo período, o Centro Oeste viu seu índice saltar de 13,9 para 19,9 (mais de 43% de aumento). O Norte experimentou o maior crescimento (46,6%) na taxa de incidência: passou de 6,0 para 8,8 casos a cada 100 mil habitantes. A taxa de incidência deve ser mais levada em conta do que o número absoluto de casos porque revela o risco de determinada população ter a doença.

Faixa etária
No corte por idades, o boletim epidemiológico revela algumas diferenças entre os sexos. Nos homens, observa-se um certo deslocamento do aumento na taxa de incidência para a população acima de 40 anos. Os indivíduos masculinos na faixa dos 40-49 anos apresentam taxa de incidência estável: 51,0 em 1998; 50,9 em 2003. Já na faixa dos 50-59 anos registra aumento no mesmo período: a taxa passa de 25,2 para 26,4. Considerando todas as faixas etárias, a taxa geral de incidência caiu de 26,4 para 22,6 em cada grupo de 100 mil homens.

Entre 1998 e 2003, o aumento da taxa de incidência na população feminina deslocou-se para os grupos acima dos 30 anos. Nas mulheres, há crescimento da taxa de incidência em todas as faixas etárias a partir dessa idade. A exceção é entre as jovens, que demonstram discreta queda do indicador nos grupos entre 13 e 29 anos. Considerando todas as faixas etárias, a taxa geral de incidência subiu de 12,9 para 14,0 em cada grupo de 100 mil mulheres.

Ex-coordenador de programa contesta colapso

O ex-coordenador do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde Paulo Teixeira afirmou ontem que discorda da avaliação do atual titular do cargo, Pedro Chequer, sobre as negociações de preços de remédios contra a Aids.
Em entrevista à Folha, Chequer afirmou que a política centrada na redução direta de preços dos últimos anos levou o programa de distribuição de remédios contra o HIV a um situação de quase insolvência.
Chequer também colocou que se não for iniciada a produção nacional das drogas, por meio de quebra de patentes ou de licenciamento voluntário dos medicamentos, pode haver um colapso no programa que atende hoje mais de 100 mil pacientes no país.
"Eu discordo", afirmou o ex-coordenador Paulo Teixeira. "Não tenho dúvidas de que a política foi agressiva e vantajosa. Em relação a quebra de patentes [dos medicamentos], não houve oportunidade porque as negociações foram satisfatórias."
Teixeira está cotado para assumir a área relacionada aos programas contra a Aids no governo de José Serra (PSDB), na Prefeitura de São Paulo.
O Ministério da Saúde divulgou ontem nota em que assegura a continuidade da distribuição gratuita de medicamentos para pessoas com Aids.
Segundo a nota, "a política de acesso universal a medicamentos anti-retrovirais é uma prioridade do governo brasileiro (...)".

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